A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental, concomitantemente ao aprendizado básico indispensável para todos os que se seguirão por toda vida.
A relevância da observação dos comportamentos e aquisições intelectuais da criança e do adolescente feita por pais e professores é imensa, mas não substitui uma avaliação médica e de especialistas em diferentes áreas, quando estes comportamentos fogem da freqüência e intensidade usuais.
Até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Com o aumento das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis e decorrentes dessa nova condição. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se fizeram mais conhecidos pela população em geral.
Entre esses, o Transtorno do Déficit da Atenção, com ou sem hiperatividade (TDA/H) e o Transtorno do Humor Bipolar (THB) têm sido objeto de muitos estudos em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados e tratados por equipes de profissionais especializados.
O TDA/H, hoje muito comentado em função da amplitude da divulgação na imprensa, é um exemplo. Conhecido dos médicos há várias décadas, com o advento das especializações, como por exemplo a psicopedagogia, passou a ser objeto de estudo multidisciplinar e os resultados dos tratamentos têm sido, em sua grande parte, de enorme valia, tanto para os pacientes, como para suas famílias e a sociedade.
Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico e psicopedagógico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa auto-estima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, à gravidez precoce, à promiscuidade sexual e marginalização, entre outras.
Infelizmente, a especulação por parte de alguns profissionais não credenciados para tal avaliação, ou ainda, diagnóstico feito por pessoas leigas, tem trazido mais problemas aos que já sofrem com esse transtorno. Generalizou-se, irresponsavelmente, por exemplo, chamar de TDA/H a toda e qualquer manifestação de inquietação, distração ou falta de limite que as crianças e jovens apresentem na escola ou em casa. Como conseqüência, casos em que o transtorno não existe de fato aparecem em toda parte, banalizando um problema sério e de grande repercussão sobre a vida dos pacientes reais e sua família. Estes falsos diagnósticos são geralmente feitos à base de “achismos” como o preenchimento de questionários ou testes sem qualquer base científica ou mesmo ao sabor das conveniências pessoais de alguns adultos, que pensam dela tirar proveito, seja para justificar uma educação deficiente em limites, normas e atenção à criança ou, ainda, a outros interesses particulares.
O Transtorno de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia pode se apresentar de forma atípica.
Assim, ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso do Transtorno é também mais crônico do que episódico e sintomas mistos com depressão seguida de “tempestades afetivas”, são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados.
Os diagnósticos de transtornos da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de dois transtornos simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do médico e da equipe envolvida, como psicólogos e psicopedagogos.
É importante salientar ainda que estes transtornos afetam seriamente o desenvolvimento e o crescimento emocional dos pacientes, sendo associados a dificuldades escolares, comportamento de alto risco (como promiscuidade sexual e abuso de substâncias), dificuldades nas relações interpessoais, tentativas de suicídio, problemas legais, múltiplas hospitalizações, etc.
Os diagnósticos devem sempre ser realizados por médicos psiquiatras ou neurologistas em conjunto com psicopedagogos, que ao diagnosticarem e acompanharem a criança, se preocupam em dar também orientações à família e à escola.
Minimizar esses transtornos só piora suas conseqüências e prejudica o paciente. Somente especialistas podem afastar e esclarecer as dúvidas e não é exagero ser cuidadoso quando se trata da vida, saúde e futuro dos nossos filhos!
Maria Irene Maluf
Pedagoga especialista em Psicopedagogia
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26 de outubro de 2010
17 de fevereiro de 2010
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BENEFICIOS DA NATAÇÃO PARA OS PEQUENOS - COMO A NATAÇAO AUXILIA NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS
Considere que em algum momento de nossas infâncias deparamo-nos com a tarefa de aprender a utilizar nossos membros, agitando braços e pernas. Divertíamo-nos com aquela explosão de movimentos descontrolados, que nós decidíamos quando começar e parar... era genial! Aos poucos, com um pouco de esforço, percebemos que era possível agarrar algumas coisas e, mais interessante ainda, zuni-las longe. Hoje fazemos o que queremos com nossos membros, sem pensar em como era complicado relaxar certos músculos e contrair outros durante um certo tempo para sustentar uma posição. Mas, acredite, tivemos de aprender. Cada pequeno feito como esse dava uma satisfação danada e, assim, adquiríamos confiança para tentar mais e mais coisas.
Se você pegou o espírito da coisa nessa curta ilustração, cognitivamente falando, fica claro como é importante a relação entre nossa psicologia e nossa motricidade: a disposição para fazer coisas depende de nossa habilidade para realizá-las"a disposição para fazer coisas depende de nossa habilidade para realizá-las" . A isso chamamos psicomotricidade, uma ciência que compreende o homem pelo movimento a partir do corpo e pelo movimento do homem em relação aos desejos que o cercam.
Indicadores de um desenvolvimento motor saudável influenciam num desenvolvimento psicosocial saudável e vice-versa. Pode parecer surpreendente mas, não raro, crianças com dificuldades sociais foram indivíduos pouco ou inadequadamente estimulados no período do bebê. Vamos entender como a água pode atuar a favor desse processo. Que tal facilitarmos a vida futura de nossas crianças?
Autoconfiança desde cedo
No caso da autoconfiança, fundamental para uma vida social saudável, devemos ter em mente que ela é construída justamente no berço. O conforto que uma criança dispõe nesse período está ligado diretamente ao grau de segurança que apresentará nas etapas futuras de sua vida. Esse conforto traduz-se pela satisfação de suas necessidades fisiológicas e afetivas que a pessoa materna deve suprir, bem como na manutenção de uma presença sólida e numa rotina constante do dia-a-dia. A ajuda nessa etapa importante, na qual a aquisição da confiança está se desenvolvendo (tanto em si como na relação com o outro) pode ser feita através de uma das ferramentas mais recomendadas por psicomotricistas e educadores: atividades lúdicas dentro d´água.
Este meio, tantas vezes comparado com o universo intrauterino, impulsiona a criança a explorar habilidades em que já possui um domínio próprio, permitindo que se expresse com mais autonomia. Isso ocorre porque todo aquele difícil processo de contrair, relaxar e manter posturas específicas é facilitado no ambiente aquático, que reduzindo a ação da gravidade funciona dando suporte ao aparelho locomotor. Menos esforço para coisas simples gera oportunidade para participarmos de mais coisas, como espirrar água noutros bebês, pais e professores que nadam conosco. Assim, a identidade psicosocial vai sendo exercitada, desde cedo.
Natação para bebês é uma das boas dicas que podemos adotar visando a desinibição precoce de nossos rebentos. A desinibição motora acompanha a desinibição psicológica numa atividade que trabalha tanto a construção individual de uma imagem corporal sadia quanto o sentido de conexão com um mundo ao nosso redor. A percepção envolvente e estimulante que a água proporciona faz com que a criança sinta-se parte integrante de um todo"A percepção envolvente e estimulante que a água proporciona faz com que a criança sinta-se parte integrante de um todo" , menos dependente e mais confiante para colaborar com as dinâmicas sociais. Quantas oportunidades poderemos aproveitar quando não tivermos mais que pensar nesta complexa tarefa de lidar com pessoas, ou pelo menos quando chegarmos ao estágio onde isso não pareça tão intimidador?
AUTOR :Gustavo Lunz
Se você pegou o espírito da coisa nessa curta ilustração, cognitivamente falando, fica claro como é importante a relação entre nossa psicologia e nossa motricidade: a disposição para fazer coisas depende de nossa habilidade para realizá-las"a disposição para fazer coisas depende de nossa habilidade para realizá-las" . A isso chamamos psicomotricidade, uma ciência que compreende o homem pelo movimento a partir do corpo e pelo movimento do homem em relação aos desejos que o cercam.
Indicadores de um desenvolvimento motor saudável influenciam num desenvolvimento psicosocial saudável e vice-versa. Pode parecer surpreendente mas, não raro, crianças com dificuldades sociais foram indivíduos pouco ou inadequadamente estimulados no período do bebê. Vamos entender como a água pode atuar a favor desse processo. Que tal facilitarmos a vida futura de nossas crianças?
Autoconfiança desde cedo
No caso da autoconfiança, fundamental para uma vida social saudável, devemos ter em mente que ela é construída justamente no berço. O conforto que uma criança dispõe nesse período está ligado diretamente ao grau de segurança que apresentará nas etapas futuras de sua vida. Esse conforto traduz-se pela satisfação de suas necessidades fisiológicas e afetivas que a pessoa materna deve suprir, bem como na manutenção de uma presença sólida e numa rotina constante do dia-a-dia. A ajuda nessa etapa importante, na qual a aquisição da confiança está se desenvolvendo (tanto em si como na relação com o outro) pode ser feita através de uma das ferramentas mais recomendadas por psicomotricistas e educadores: atividades lúdicas dentro d´água.
Este meio, tantas vezes comparado com o universo intrauterino, impulsiona a criança a explorar habilidades em que já possui um domínio próprio, permitindo que se expresse com mais autonomia. Isso ocorre porque todo aquele difícil processo de contrair, relaxar e manter posturas específicas é facilitado no ambiente aquático, que reduzindo a ação da gravidade funciona dando suporte ao aparelho locomotor. Menos esforço para coisas simples gera oportunidade para participarmos de mais coisas, como espirrar água noutros bebês, pais e professores que nadam conosco. Assim, a identidade psicosocial vai sendo exercitada, desde cedo.
Natação para bebês é uma das boas dicas que podemos adotar visando a desinibição precoce de nossos rebentos. A desinibição motora acompanha a desinibição psicológica numa atividade que trabalha tanto a construção individual de uma imagem corporal sadia quanto o sentido de conexão com um mundo ao nosso redor. A percepção envolvente e estimulante que a água proporciona faz com que a criança sinta-se parte integrante de um todo"A percepção envolvente e estimulante que a água proporciona faz com que a criança sinta-se parte integrante de um todo" , menos dependente e mais confiante para colaborar com as dinâmicas sociais. Quantas oportunidades poderemos aproveitar quando não tivermos mais que pensar nesta complexa tarefa de lidar com pessoas, ou pelo menos quando chegarmos ao estágio onde isso não pareça tão intimidador?
AUTOR :Gustavo Lunz
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Desenvolvimento Infantil,
Dividindo com vocês,
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TEXTO
15 de fevereiro de 2010
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Brincar é coisa séria
No século XV, a criança era vista como um adulto em miniatura. Ela era vestida como adulto e a ela cabiam decisões como se fosse adulto. Na época atual, em algumas famílias, esta situação não é muito diferente. A criança ocupa, muitas vezes, o lugar de centro de decisões: ela é a autoridade e os pais a obedecem. É ela quem determina a hora e onde irá dormir; se vai ou não tomar vacina; se vai ou não escovar os dentes, etc. Existem alguns segmentos da literatura e segmentos sociais preocupados em conscientizar os adultos das necessidades, importância e responsabilidades de cada papel.
Muitos adultos quando referem-se à criança e ao que lhe é pertinente, referem-se de uma maneira pejorativa, desqualificada ou desconsiderada. Brincar é o verbo da criança. Brincar é a maneira como ela conhece, experimenta, aprende, apreende, vivencia, expõe emoções, coloca conflitos, elabora-os ou não, interage consigo e com o mundo.
O corpo é um brinquedo para a criança. Através dele, ela descobre sons, descobre que pode rolar, virar cambalhota, saltar, manusear, apertar, que pode se comunicar.
O mesmo brinquedo pode servir de fonte diferente de exploração e conhecimento. Uma bola para uma criança de dois anos pode ser fonte de interesse com relação a tamanho, cor e para uma criança de seis anos o interesse pode ser mais relacional: jogar e receber a bola do outro, fazer gol.
É importante que a criança possa brincar sozinha e em grupo, preferencialmente com crianças de idade próximas. Desse modo ela tem possibilidade, também, de ampliar sua consciência de si mesma, pois pode saber como ela é num grupo que é mais receptivo, num outro que é mais agressivo, num que ela é líder, num outro em que é liderada, etc. Lidando com as diferenças, ela amplia seu campo de vivências.
Alguns cuidados devem ser tomados com esta relação da criança com o brinquedo. São eles: brincar deve ser divertido, prazeroso e não tarefa e o brinquedo deve estar de acordo com o interesse da criança.
Sugestões de brinquedos de acordo com a faixa etária
fonte: O direito de brincar, Ed. Fund. Abrinq (apud OLIVEIRA, 2006).
Três meses- Chocalhos, mordedores, figuras enfiadas em cordão para instalar no berço ou carrinho.
Seis meses- Quadros com peças coloridas, de formas diversificadas, peças que correm em trilhos.
Oito meses- Bolas, cubos em tecidos, caixas de música com alça para puxar.
Dez meses – Bonecos em tecido com roupas fixas, animais em tecido (não pelúcia), sem detalhes que possam ser arrancados.
Um ano- Cavalinhos de pau, carrinhos de puxar e empurrar, blocos de construção simples, cadeiras de balanço.
Dois anos- Veículos sem pedais, que se movem pelo impulso dos pés.
Três anos- Veículos com pedais, triciclos, bonecas com pés e mãos articulados, jogos de memória.
Quatro anos- Roupas de fantasia, super-heróis, máscaras.
Cinco anos- Miniaturas de figuras simples, soldados de chumbo, maquiagem, bolsas, bijuterias, móveis do tamanho da criança.
Seis anos- Aviões, barcos e autoramas.
Oito anos- Jogos de xadrez, damas, simulação e mistério.
Às vezes o adulto “dá” o brinquedo para a criança na tentativa de que ele adulto possa brincar. Aí ele passa a conduzir a brincadeira, bronquear se a criança descobriu outra forma de jogar ou de brincar que não a formalizada a princípio, não permitindo muitas vezes a espontaneidade, manipulação criativa, exploração e o prazer.
Ao se fazer doações dos brinquedos, isto deve ser realizado com autorização e participação da criança. O brinquedo pode conter uma série de significados para a criança, mesmo que ela não o use, não ligue para ele, ou ele já esteja surrado e quebrado. Ele pode ser um amigo, um conforto, uma segurança e desse modo ela pode não ter condições ou vontade de se desfazer do brinquedo num determinado momento. O que nada tem a ver com ser ou não ser egoísta.
Algumas questões polêmicas surgem quando falamos desta relação do brincar:
Menino pode brincar de boneca e menina de bola?
Alguns pais ficam aflitos com esta questão, pois acreditam que a sexualidade será definida a partir desta escolha. Neste caso é bom informar que a criança irá definir sua sexualidade a partir do contexto que vivencia. Da forma como pai e mãe se relacionam, de como os papéis masculino e feminino lhe são apresentados no cotidiano, como estes pais se relacionam com a criança, de como esta criança vai sendo criada.
- Arma de brinquedo produz agressividade?
Agressividade é um sentimento que todos nós temos e culturalmente lidamos mal. Normalmente a associamos com violência, ou a vemos apenas pelo seu aspecto destrutivo. Não nos damos conta de que precisamos dela para procurar um emprego, para comermos, para criarmos, para fazermos um artigo para o jornal, etc. Quando uma criança diz que está com raiva, logo é atropelada pelo adulto que diz: “Você não gosta de mim não?” Como se uma coisa fosse impeditiva da outra.
- O uso de vídeo-game e computador ajuda ou atrapalha no desenvolvimento da criança?
O excesso atrapalha. Uma criança que passa várias horas na frente do computador acaba não se relacionando com outras coisas e pessoas que são importantes para um desenvolvimento melhor. O bom é que ela possa ter condições de fazer várias experiências para ter uma visão de mundo mais ampla. É preciso também que o adulto esteja atento ao uso dessa criança na internet, por exemplo, onde ela tem acesso a todo tipo de informação e de pessoas. O cuidado e avaliação constantes do adulto devem caminhar no sentido de auxiliar a criança a desenvolver senso crítico. A realidade deve ser apresentada à criança aos poucos na medida de suas possibilidades, necessidades e etapa evolutiva.
O BRINCAR NA APRENDIZAGEM
Desde o nascimento o ser humano vai passando por fases na busca de construção do conhecimento. A conquista do ser humano do símbolo passa por diferentes fases, tendo origem nos processos mais primitivos da infância. Como já dito anteriormente, a criança aprende pelo corpo, é através dele que se relaciona com o meio circundante. É observando, olhando, conhecendo, tocando, manipulando e experimentando que se vai construindo conhecimento. Neste jogo, o da busca do conhecimento, onde se pode brincar, jogar e estabelecer um espaço e tempo mágico, onde tudo é possível, um espaço confiável, onde a imaginação pode desenvolver-se de forma sadia, onde se pode viver entre o real e o imaginário, este é o lugar e tempo propício para crescer e produzir conhecimento. Para Fernandez (1990, p. 165), "O saber se constrói fazendo próprio o conhecimento do outro, e a operação de fazer próprio o conhecimento do outro só se pode fazer jogando."
No começo, a brincadeira é bastante corporal e mais tarde tende a ser mais objetal passando à subjetividade no final. Oliveira, (1992, p. 22) "O pensamento de interação com o meio se amplia progressivamente e gradativamente da ação física à representativa."
A mão na boca para a criança é ponto central para novas descobertas, pois é por este movimento que se começa a delimitar a noção de objeto. Brinca com seu polegar, com lençol, com fralda e assim vai descobrindo a realidade que a cerca. O objeto, no início deste processo, não pode ser definido como objeto interno ou externo, ele não está dentro nem fora, não é sonho mas também não é alucinação, é apenas a primeira descoberta do outro, do mundo externo. A este objeto Winnicott (1971, p. 9) define como objeto transacional. Estes objetos chamados de transicionais, representam um novo estado de evolução no processo de construção do sujeito cognoscente, é a primeira relação estabelecida fora do campo simbiótico da criança com sua mãe.
Brincar é um espaço privilegiado, proporciona à criança, como sujeito, a oportunidade de viver entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. Cabe ressaltar que a brincadeira não traz apenas prazer, também pode trazer dor ou desconforto.
Brincando a criança vai, lentamente, estabelecendo vínculos, brinca com os objetos externos e internos num processo de trocas intensas com a realidade e com a fantasia. O brincar proporciona ao sujeito liberar o medo do novo, do desconhecido. A criança brinca com o desconhecido para torná-lo conhecido, brinca com o medo para que possa dominá-lo.
Brincar é uma ação que ocorre no campo da imaginação, assim, ao brincar estar-se-á fazendo uso de uma linguagem simbólica, o que se faz retirando da realidade coisas para serem significadas em outro espaço. Quando a criança com uma peça de sucata e imagina que é um caminhão está estabelecendo uma relação de imaginação e criação: está recriando a realidade.
É na exploração do mundo, do meio ambiente, na manipulação dos objetos, nas trocas com seus pares etc. que a criança vai aprendendo, vai buscando fora si o conhecimento, para mais tarde poder internalizá-lo. É nesta buscas, nesta movimentação que novos esquemas podem ser assimilados, generalizados. O brincar permite que esta troca intensa entre o que está dentro e o que está fora ocorra, pois a brincadeira não está dentro nem fora.
Assim, "a criança à qual tudo é permitido e à qual todos os obstáculos são removidos não se dá condições de se estruturar logicamente a realidade, conseqüentemente, de representá-lo." (OLIVEIRA, 1998, p. 47).
A realidade impõe limites, são estes limites que cria condições para as estruturas mentais. O processo de construção de conhecimento passa necessariamente pela afirmação e pela negação. É através desta relação dialética sujeito/objeto que se pode criar conhecimento. Por esta razão também acreditamos que "sempre se aprende mais do que se pensa, do que se pode demonstrar verbalmente ou declarar conscientemente." (BLEGER, 1991, p. 75).
A brincadeira contribui de forma espetacular para a construção da auto imagem positiva. Pode-se superar e ressignificar diferentes objetos internalizados, assumindo novos papéis ou mesmo brincando com o já caracterizado. Ao brincar, por exemplo, de casinha a criança precisa conhecer como é uma casa, quem são seus personagens, interioriza modelos, desempenha certa função social, condutas, estabelece vínculos, exercita a sua autonomia, troca com seus pares, experimenta emoções, cria e recria, assume papéis, seu corpo expressa a realidade externa, assume gestos e palavras da pessoa que representa. Vive intensamente a sua realidade interna.
Dentro da minha experiência em sala de aula, as crianças diante de um espelho (solicitado por mim à direção da escola) se comunicavam com suas imagens na forma de si mesmas e de outros. São momentos em que se percebe muitas construções no plano da subjetividade de cada uma delas.
Fotos: particulares (Vivi Patrice)
Créditos: Jaqueline da Silva Lima
Fonte:
A importância do brincar e do brinquedo para as crianças de três a quatro anos na Educação Infantil -
Monografia apresentada para conclusão do Curso de Pedagogia –Educação Infantil do Centro de Ciências Humanas da Universidade Veiga de Almeida. Orientadora: Regina Maria Pires Abdelnur.
A IMPORTÃNCIA DO BRINCAR PARA A CRIANÇA DA EDUCAÇÃO INFANTIL - SUGESTÕES DE BRINQUEDOS DE ACORDO COM A IDADE
“É no brincar, e talvez apenas no brincar,
que a criança ou adulto fruem sua liberdade de criação.”
(Winnicott, D. W., 1975)”.
No século XV, a criança era vista como um adulto em miniatura. Ela era vestida como adulto e a ela cabiam decisões como se fosse adulto. Na época atual, em algumas famílias, esta situação não é muito diferente. A criança ocupa, muitas vezes, o lugar de centro de decisões: ela é a autoridade e os pais a obedecem. É ela quem determina a hora e onde irá dormir; se vai ou não tomar vacina; se vai ou não escovar os dentes, etc. Existem alguns segmentos da literatura e segmentos sociais preocupados em conscientizar os adultos das necessidades, importância e responsabilidades de cada papel.
Muitos adultos quando referem-se à criança e ao que lhe é pertinente, referem-se de uma maneira pejorativa, desqualificada ou desconsiderada. Brincar é o verbo da criança. Brincar é a maneira como ela conhece, experimenta, aprende, apreende, vivencia, expõe emoções, coloca conflitos, elabora-os ou não, interage consigo e com o mundo.
O corpo é um brinquedo para a criança. Através dele, ela descobre sons, descobre que pode rolar, virar cambalhota, saltar, manusear, apertar, que pode se comunicar.
O mesmo brinquedo pode servir de fonte diferente de exploração e conhecimento. Uma bola para uma criança de dois anos pode ser fonte de interesse com relação a tamanho, cor e para uma criança de seis anos o interesse pode ser mais relacional: jogar e receber a bola do outro, fazer gol.
É importante que a criança possa brincar sozinha e em grupo, preferencialmente com crianças de idade próximas. Desse modo ela tem possibilidade, também, de ampliar sua consciência de si mesma, pois pode saber como ela é num grupo que é mais receptivo, num outro que é mais agressivo, num que ela é líder, num outro em que é liderada, etc. Lidando com as diferenças, ela amplia seu campo de vivências.
Alguns cuidados devem ser tomados com esta relação da criança com o brinquedo. São eles: brincar deve ser divertido, prazeroso e não tarefa e o brinquedo deve estar de acordo com o interesse da criança.
Sugestões de brinquedos de acordo com a faixa etária
fonte: O direito de brincar, Ed. Fund. Abrinq (apud OLIVEIRA, 2006).
Três meses- Chocalhos, mordedores, figuras enfiadas em cordão para instalar no berço ou carrinho.
Seis meses- Quadros com peças coloridas, de formas diversificadas, peças que correm em trilhos.
Oito meses- Bolas, cubos em tecidos, caixas de música com alça para puxar.
Dez meses – Bonecos em tecido com roupas fixas, animais em tecido (não pelúcia), sem detalhes que possam ser arrancados.
Um ano- Cavalinhos de pau, carrinhos de puxar e empurrar, blocos de construção simples, cadeiras de balanço.
Dois anos- Veículos sem pedais, que se movem pelo impulso dos pés.
Três anos- Veículos com pedais, triciclos, bonecas com pés e mãos articulados, jogos de memória.
Quatro anos- Roupas de fantasia, super-heróis, máscaras.
Cinco anos- Miniaturas de figuras simples, soldados de chumbo, maquiagem, bolsas, bijuterias, móveis do tamanho da criança.
Seis anos- Aviões, barcos e autoramas.
Oito anos- Jogos de xadrez, damas, simulação e mistério.
Às vezes o adulto “dá” o brinquedo para a criança na tentativa de que ele adulto possa brincar. Aí ele passa a conduzir a brincadeira, bronquear se a criança descobriu outra forma de jogar ou de brincar que não a formalizada a princípio, não permitindo muitas vezes a espontaneidade, manipulação criativa, exploração e o prazer.
Ao se fazer doações dos brinquedos, isto deve ser realizado com autorização e participação da criança. O brinquedo pode conter uma série de significados para a criança, mesmo que ela não o use, não ligue para ele, ou ele já esteja surrado e quebrado. Ele pode ser um amigo, um conforto, uma segurança e desse modo ela pode não ter condições ou vontade de se desfazer do brinquedo num determinado momento. O que nada tem a ver com ser ou não ser egoísta.
Algumas questões polêmicas surgem quando falamos desta relação do brincar:
Menino pode brincar de boneca e menina de bola?
Alguns pais ficam aflitos com esta questão, pois acreditam que a sexualidade será definida a partir desta escolha. Neste caso é bom informar que a criança irá definir sua sexualidade a partir do contexto que vivencia. Da forma como pai e mãe se relacionam, de como os papéis masculino e feminino lhe são apresentados no cotidiano, como estes pais se relacionam com a criança, de como esta criança vai sendo criada.
- Arma de brinquedo produz agressividade?
Agressividade é um sentimento que todos nós temos e culturalmente lidamos mal. Normalmente a associamos com violência, ou a vemos apenas pelo seu aspecto destrutivo. Não nos damos conta de que precisamos dela para procurar um emprego, para comermos, para criarmos, para fazermos um artigo para o jornal, etc. Quando uma criança diz que está com raiva, logo é atropelada pelo adulto que diz: “Você não gosta de mim não?” Como se uma coisa fosse impeditiva da outra.
- O uso de vídeo-game e computador ajuda ou atrapalha no desenvolvimento da criança?
O excesso atrapalha. Uma criança que passa várias horas na frente do computador acaba não se relacionando com outras coisas e pessoas que são importantes para um desenvolvimento melhor. O bom é que ela possa ter condições de fazer várias experiências para ter uma visão de mundo mais ampla. É preciso também que o adulto esteja atento ao uso dessa criança na internet, por exemplo, onde ela tem acesso a todo tipo de informação e de pessoas. O cuidado e avaliação constantes do adulto devem caminhar no sentido de auxiliar a criança a desenvolver senso crítico. A realidade deve ser apresentada à criança aos poucos na medida de suas possibilidades, necessidades e etapa evolutiva.
O BRINCAR NA APRENDIZAGEM
"Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
(MILTON NASCIMENTO, 1998).
Desde o nascimento o ser humano vai passando por fases na busca de construção do conhecimento. A conquista do ser humano do símbolo passa por diferentes fases, tendo origem nos processos mais primitivos da infância. Como já dito anteriormente, a criança aprende pelo corpo, é através dele que se relaciona com o meio circundante. É observando, olhando, conhecendo, tocando, manipulando e experimentando que se vai construindo conhecimento. Neste jogo, o da busca do conhecimento, onde se pode brincar, jogar e estabelecer um espaço e tempo mágico, onde tudo é possível, um espaço confiável, onde a imaginação pode desenvolver-se de forma sadia, onde se pode viver entre o real e o imaginário, este é o lugar e tempo propício para crescer e produzir conhecimento. Para Fernandez (1990, p. 165), "O saber se constrói fazendo próprio o conhecimento do outro, e a operação de fazer próprio o conhecimento do outro só se pode fazer jogando."
No começo, a brincadeira é bastante corporal e mais tarde tende a ser mais objetal passando à subjetividade no final. Oliveira, (1992, p. 22) "O pensamento de interação com o meio se amplia progressivamente e gradativamente da ação física à representativa."
A mão na boca para a criança é ponto central para novas descobertas, pois é por este movimento que se começa a delimitar a noção de objeto. Brinca com seu polegar, com lençol, com fralda e assim vai descobrindo a realidade que a cerca. O objeto, no início deste processo, não pode ser definido como objeto interno ou externo, ele não está dentro nem fora, não é sonho mas também não é alucinação, é apenas a primeira descoberta do outro, do mundo externo. A este objeto Winnicott (1971, p. 9) define como objeto transacional. Estes objetos chamados de transicionais, representam um novo estado de evolução no processo de construção do sujeito cognoscente, é a primeira relação estabelecida fora do campo simbiótico da criança com sua mãe.
Brincar é um espaço privilegiado, proporciona à criança, como sujeito, a oportunidade de viver entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. Cabe ressaltar que a brincadeira não traz apenas prazer, também pode trazer dor ou desconforto.
Brincando a criança vai, lentamente, estabelecendo vínculos, brinca com os objetos externos e internos num processo de trocas intensas com a realidade e com a fantasia. O brincar proporciona ao sujeito liberar o medo do novo, do desconhecido. A criança brinca com o desconhecido para torná-lo conhecido, brinca com o medo para que possa dominá-lo.
Brincar é uma ação que ocorre no campo da imaginação, assim, ao brincar estar-se-á fazendo uso de uma linguagem simbólica, o que se faz retirando da realidade coisas para serem significadas em outro espaço. Quando a criança com uma peça de sucata e imagina que é um caminhão está estabelecendo uma relação de imaginação e criação: está recriando a realidade.
É na exploração do mundo, do meio ambiente, na manipulação dos objetos, nas trocas com seus pares etc. que a criança vai aprendendo, vai buscando fora si o conhecimento, para mais tarde poder internalizá-lo. É nesta buscas, nesta movimentação que novos esquemas podem ser assimilados, generalizados. O brincar permite que esta troca intensa entre o que está dentro e o que está fora ocorra, pois a brincadeira não está dentro nem fora.
Assim, "a criança à qual tudo é permitido e à qual todos os obstáculos são removidos não se dá condições de se estruturar logicamente a realidade, conseqüentemente, de representá-lo." (OLIVEIRA, 1998, p. 47).
A realidade impõe limites, são estes limites que cria condições para as estruturas mentais. O processo de construção de conhecimento passa necessariamente pela afirmação e pela negação. É através desta relação dialética sujeito/objeto que se pode criar conhecimento. Por esta razão também acreditamos que "sempre se aprende mais do que se pensa, do que se pode demonstrar verbalmente ou declarar conscientemente." (BLEGER, 1991, p. 75).
A brincadeira contribui de forma espetacular para a construção da auto imagem positiva. Pode-se superar e ressignificar diferentes objetos internalizados, assumindo novos papéis ou mesmo brincando com o já caracterizado. Ao brincar, por exemplo, de casinha a criança precisa conhecer como é uma casa, quem são seus personagens, interioriza modelos, desempenha certa função social, condutas, estabelece vínculos, exercita a sua autonomia, troca com seus pares, experimenta emoções, cria e recria, assume papéis, seu corpo expressa a realidade externa, assume gestos e palavras da pessoa que representa. Vive intensamente a sua realidade interna.
Dentro da minha experiência em sala de aula, as crianças diante de um espelho (solicitado por mim à direção da escola) se comunicavam com suas imagens na forma de si mesmas e de outros. São momentos em que se percebe muitas construções no plano da subjetividade de cada uma delas.
Créditos: Jaqueline da Silva Lima
Fonte:
A importância do brincar e do brinquedo para as crianças de três a quatro anos na Educação Infantil -
Monografia apresentada para conclusão do Curso de Pedagogia –Educação Infantil do Centro de Ciências Humanas da Universidade Veiga de Almeida. Orientadora: Regina Maria Pires Abdelnur.
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18 de janeiro de 2010
2
ESTÃO NASCENDO MAIS CRIANÇAS COM SINDROME DE DOWN.
Maternidade tardia aumenta casos de Síndrome de Down
20% das mulheres aguardam até os 35 anos para iniciar uma nova família A decisão de muitas mulheres de ter um filho mais madura contribuiu para aumentar, nos últimos 20 anos, os diagnósticos de Síndrome de Down. A notícia foi divulgada por meio de um relatório da Queen Mary University de Londres. Publicado na revista British Medical Journal (BMJ), o estudo apontou que o número de casos identificados, entre 1989 e 1990, na Inglaterra e, em Gales, foi de 1.075. No período de 2007 e 2008, no entanto, o número saltou para 1.843, um aumento de 71% atribuído à maternidade mais tardia. Segundo os dados do estudo, a probabilidade de ter um bebê com Síndrome de Down é de uma, entre 940 mulheres, com mais de 30 anos. O índice cai mais ainda no caso das que optam pela maternidade acima dos 40 anos, uma, em cada 85 mulheres britânicas.
Os dados apresentados pela pesquisa britânica representam a realidade brasileira também. O adiamento da gravidez é uma escolha muito comum das mulheres, nos dias de hoje. O número de grávidas ou mulheres tentando engravidar na faixa, entre 30 e 40 anos, tem aumentado nos últimos anos. Pelo menos 20% das mulheres aguardam até os 35 anos para iniciar uma nova família. São muitos os fatores envolvidos na decisão de adiar a maternidade: a estabilidade profissional, a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira, ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe.
À medida em que a mulher envelhece, seus óvulos também envelhecem, tornando-se menos capazes de serem fertilizados pelos espermatozóides. Outro fator a ser ponderado é que a fertilização desses óvulos está associada a um risco maior de alterações genéticas. Por exemplo, alterações cromossômicas, como a Síndrome de Down, são mais comuns em crianças nascidas de mulheres mais velhas. Há um aumento contínuo no risco desses problemas cromossômicos conforme a mulher envelhece.
Quando os óvulos com problemas cromossômicos são fertilizados, eles têm uma possibilidade menor de sobreviver e crescer. Por essa razão, mulheres que estão acima dos 40 têm um risco aumentado de abortos espontâneos também. As taxas menores de gravidez em mulheres acima de 40 são, em grande parte, devidas ao aumento de óvulos com problemas cromossômicos. Já quando os óvulos são coletados em mulheres de 20 a 30 anos, fertilizados e colocados no útero de uma mulher com mais de 40, a chance de gravidez na mulher mais velha é muito maior do que ela poderia esperar, se tivesse utilizado seus próprios óvulos.
O sucesso no emprego das técnicas de doação de óvulos confirma que a qualidade do óvulo é uma barreira fundamental à gravidez nas mulheres mais velhas. Embora a idade, hoje, não se constitua numa barreira intransponível à gravidez, qualquer tratamento de infertilidade, exceto a doação de óvulos, terá menos sucesso em mulheres acima de 40 anos.
Uma das aplicações claras do PGD - Diagnóstico Pré-implantacional - está relacionada com a idade materna avançada, comum entre as pacientes que procuram as clínicas de reprodução assistida. Estas pacientes, normalmente, demonstram insegurança quanto ao risco de malformações fetais, cuja incidência é diretamente proporcional à idade materna. O PGD permite separar os embriões portadores de algum tipo de desordem genética, transferindo para o útero materno apenas os embriões saudáveis, beneficiando principalmente casais com alto risco genético, como doenças de etiologia autossômica dominante ou recessiva.
Fonte: Minha Vida
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Fonte: Minha Vida
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Amostra de sangue da gestante é capaz de apontar Síndrome de Down
Um novo exame pré-natal, mais seguro e menos invasivo que os testes aplicados atualmente, é capaz de detectar a Síndrome de Down. É o que afirma um estudo feito por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
O teste aplicado hoje em dia é o da amniocentese. Ele consiste no uso de uma agulha para retirar líquido do útero e pode acarretar em aborto e danos ao feto. De acordo com o Royal College de Obstetras e Ginecologistas da Grã-Bretanha, cerca de uma em cada 100 grávidas que realiza o teste perde o bebê resultado da prática invasiva.
Com o novo exame, os cientistas conseguiram identificar vários casos de Síndrome de Down. O novo teste consiste em uma análise genética de uma amostra de sangue da mãe e pode detectar a presença de cópias excedentes do cromossomo 21.
A Síndrome de Down é causada quando a pessoa possui uma cópia extra do cromossomo. Tal condição genética é conhecida como trissomia do 21. Os pesquisadores afirmam que, se o feto apresenta três cópias do cromossomo (e não apenas duas), há também um aumento na quantidade de cromossomos 21 no sangue da gestante, já que o DNA consegue atravessar a placenta do bebê para o corpo da mãe.
O exame desenvolvido pelos cientistas se mostra capaz não somente de identificar e contar os fragmentos de DNA, mas também de detectar até um pequeno aumento no número de cromossomos 21.
A pesquisa foi feita com 18 mulheres grávidas. Os cientistas identificaram nove casos de Síndrome de Down, entre as participantes, e dois casos de outras anomalias genéticas conhecidas como aneuploidias. No entanto, o estudo ainda precisa ser repetido com um número maior de mulheres.
A descoberta abre portas para que métodos não-invasivos sejam introduzidos nos próximos anos. Demais pesquisadores investigam marcas genéticas diferentes no sangue para detectar a Síndrome. Ao contrário do teste de DNA, porém, estes testes não funcionam em todas as mulheres.
Fonte: Minha Vida
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13 de janeiro de 2010
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Autora: Ingrid Stammer
SEGURANÇA INFANTIL - A IMPORTÂNCIA DAS TELAS E GRADES EM JANELAS E SACADAS
Adapte sua casa para a segurança das crianças.
Quem tem criança em casa sabe como esses pequenos seres mexem com a nossa vida. Eles enchem a casa de alegria e com a energia que dispõem, merecem a total atenção. Muita gente acha que estando com seu filho em casa, ele está protegido. Mas fique atento, pois não é bem assim.
No Brasil, o número de crianças vítimas de acidentes em casa é assustador. As quedas são as principais causas de acidentes domésticos. De acordo com a ONG Criança Segura (www.criancasegura.org.br), de um total de 315 mortes de crianças de até 14 anos por quedas, 57 representaram casos de crianças que caíram para fora de edifícios ou outras estruturas. Mais da metade desse número tinha idade entre um ano e nove anos.
Ingrid Stammer, coordenadora da ONG Criança Segura em Curitiba, explica que as crianças além de não reconhecerem o perigo, também tem limitações físicas que podem resultar em acidente.
É o caso da falta de equilíbrio devido ao peso da cabeça. Até os 4 anos, a cabeça corresponde a 25% da massa corpórea, enquanto a de um adulto esse número é de 6%.
Por outro lado, 90% desses acidentes podem ser evitados. Em apartamentos, a instalação de telas de proteção em varandas, sacadas e janelas é uma boa dica para os pequenos poderem circular em casa de uma forma mais segura. Mas não basta apenas instalar, é preciso ficar atento as instruções do fabricante para a manutenção e sobre o tempo de substituição.
Outra dica, é adaptar o ambiente para as crianças, evitando móveis embaixo de janelas.”O fator curiosidade é muito forte e a tendência a escalar móveis é grande”, explica Ingrid.
Mas além dessas dicas, o principal é educar a criança dentro da sua compreensão. Técnicas lúdicas podem ajudar. Nesse caso, exemplificar com tomates o que acontece com a queda é uma ótima alternativa. Parece trágico, mas o aprendizado é garantido.
“Até uma certa idade a criança não tem noção dos riscos que está exposta.”
Autora: Ingrid Stammer
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CRIANÇAS PRECISAM DE ESPAÇO PARA BRINCAR
Pique-esconde, pega-pega e amarelinha. Quem na infância não se divertiu com brincadeiras como essas? Ou então, quem não apostava corrida na rua com os primos e vizinhos? A verdade é que: os tempos e os riscos eram outros.
Hoje em dia, as crianças se deparam com outra realidade. É comum os pequenos passarem horas dentro de casa envolvidos com games, computadores e brinquedos eletrônicos, sem lembrar que existe sol lá fora, isso por que diariamente encontramos novidades tecnológicas no mercado infantil. O fato das famílias preferirem apartamentos por motivos de segurança também contribui muito para esse tipo de comportamento.
Mas é importante lembrar que as brincadeiras ao livre fazem parte do desenvolvimento de uma criança. A psicóloga Fernanda Garosito, explica que as crianças aprendem a raciocinar, a dividir, melhoram o reflexo, coordenação motora, sem falar da sociabilização e do contato com a natureza.
Por isso, quem tem filhos pequenos é legal sempre levá-los a parques, matriculá-los em atividades ou escolinhas, ou ainda morar em apartamentos com espaços para as crianças. Uma boa opção são os residenciais com ampla área de lazer, além desses condomínios contarem com segurança 24h, ainda oferecem playgrounds, piscinas, brinquedotecas e amplas áreas verdes para o lazer e diversão da garotada.
“Brincadeiras movimentadas e com interação real ajudam a criança a conhecer seus limites e aumenta a criatividade. Ela aprende a inventar regras, dividir e esperar sua vez para usar um brinquedo."
Autoria: psicóloga Fernanda Garosito
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8 de janeiro de 2010
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GAROTAS SÃO TÃO BOAS EM MATEMÁTICA QUANTO GAROTOS
A ideia de que garotos se saem melhor em matemática e que profissões da área de exatas são destinadas a homens não é verdadeira, de acordo com um estudo da Universidade de Villanova, na Filadélfia, Estados Unidos. A constatação é de que as garotas são tão boas quanto eles, mas têm menos confiança nelas mesmas.
pesquisa foi baseada em testes internacionais realizados com quase meio milhão (493.495) de estudantes de 69 países. "As meninas obtêm resultados no mesmo nível que os meninos quando recebem as ferramentas adequadas de ensino e têm modelos femininos visíveis com sucesso em matemática", disse a pesquisadora Nicole Else-Quest ao jornal Daily Mail.
Fonte: http://mulher.terra.com/
pesquisa foi baseada em testes internacionais realizados com quase meio milhão (493.495) de estudantes de 69 países. "As meninas obtêm resultados no mesmo nível que os meninos quando recebem as ferramentas adequadas de ensino e têm modelos femininos visíveis com sucesso em matemática", disse a pesquisadora Nicole Else-Quest ao jornal Daily Mail.
A confiança de meninos e meninas em relação aos números e contas também fez parte da análise. O resultado indica que os níveis das estudantes são mais baixos e, por isso, não se dedicam tanto à matéria. "Apesar das semelhanças globais de habilidades matemáticas, os meninos se sentiram significativamente mais confiantes de suas capacidades e estavam mais motivados a fazer bem." As conclusões foram publicadas no American Psychological Association¿s Psychological Bulletin.
Fonte: http://mulher.terra.com/
7 de novembro de 2009
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Altas Habilidades/Superdotação e o Ensino Regular
Grupo de estudo aos sábados- SEED/PR- Equipe Educação Especial
Observamos no contexto das altas habilidades/superdotação, que muitos sujeitos não se interessam pelos conteúdos tradicionalmente aplicados na escola, mas apresentam sede de aprender e produzir.
Observamos no contexto das altas habilidades/superdotação, que muitos sujeitos não se interessam pelos conteúdos tradicionalmente aplicados na escola, mas apresentam sede de aprender e produzir.
Como atender a esta demanda, onde o ensino regular não está sendo suficiente para o seu desenvolvimento?
O professor elabora o planejamento para sua aula, baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), no que reza o Projeto Político Pedagógico (PPP)da instituição em que leciona, também levando em conta os objetivos que deverão ser alcançados pela maioria dos alunos da turma em questão, porém é sabido que tais objetivos não serão alcançados de forma igualitária por todos os alunos da sala, pois no ensino regular estadual, as turmas não são hegemônicas, portanto inúmeras serão as flexibilidades que o professor deverá enfrentar em um único objetivo, porém sem descaractelizá-lo ( não deixa-lo nem muito aquém, nem muito além).
Numa sala/turma composta por uma clientela heterogênea, o professor poderá deparar-se com alunos com necessidades especiais devido a : dificuldades ou distúrbios de aprendizagem, deficiências, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação.
O professor deve ter a preocupação e a responsabilidade em se manter sempre informado, ir a busca de capacitação para que sua prática pedagógica seja a melhor possível, tanto para ter conhecimento e segurança no seu trabalho, como para bem atender a seus alunos.
Quando o professor se depara com um aluno com necessidades especiais de educação, deve sempre comunicar sua coordenação e demais profissionais que atendam o aluno para que, juntos, estabeleçam a forma mais adequada para a aprendizagem do mesmo.
Tratando-se de altas habilidades/superdotação, observa-se certa preocupação e insegurança dos professores, que muitas vezes sentem-se incapazes para lidar com a aprendizagem do mesmo. O professor deve ter claro que na escola ele não tem o papel de ‘”dono do saber”, ele é o orientador e o mediador da aprendizagem na construção do conhecimento, respeitando o potencial de cada aluno.
O professor deve sempre diversificar as estratégias, estimular e respeitar a variedade de opiniões, idéias, de sugestões, de níveis de conhecimento e do tempo de cada um no processo educativo; dessa forma estará propiciando a identidade da formação do conhecimento de seus alunos e os respeitando como cidadãos únicos.
Conforme foi abordado no texto, o superdotado/altas habilidades gosta de desafios, está sempre disposto e ansioso para aprender novas coisas dentro e fora da sala de aula; cabe não só ao professor, como a todos os profissionais, a escola e a família, proporcionar que esse aluno esteja em contato com a área que ele mais sente interesse ou apresente uma habilidade maior.
A princípio, pode-se oferecer o método de enriquecimento curricular.
“... a partir do momento que o professor identifica que aquela criança tem uma habilidade acima da média, uma capacidade maior em uma determinada área, esse professor vai trabalhar com a perspectiva do enriquecimento curricular. Ou seja, ele vai oferecer possibilidades para que esse aluno desenvolva aquela auto-habilidade. Oferecer mais material, oportunidades de pesquisa, trabalhar com projetos de pesquisa na área de interesse específico do aluno”., (Denise Rocha Belfort Arantes, 2006 – coordenadora do núcleo de atendimento do CAPE, artigo: Como lidar com criança superdotada? – revista: Canção Nova Notícias, 2006).
No entanto, este grupo de estudo, também acredita que esse aluno deva:
1.Frequentar tanto o ensino regular (sala comum) como o não formal (oficinas) com o objetivo de estimular todas as suas capacidades e habilidades, de oferecer oportunidade de pesquisa para seus interesses, visando oferecer um equilíbrio entre suas áreas de interesse e possibilidades de respostas;
2.Ter acesso a espaços criativos, ricos em estímulos e oportunidades de aprendizagem, respeitando-se a democracia e a liberdade;
3.Participar de programas especiais que atendam suas necessidades, pois muitos não suportam atividades decorativas e nem a rotina;
4.Ter garantido desafios voltados a criatividade e que enriquecerão seus conhecimentos, proporcionando oportunidades para a ampliação de seus horizontes pessoais e projetar objetivos maiores, desenvolvendo a independência intelectual.
5.Participar de projetos voltados ao relacionamento pessoal e emocional (necessário ser trabalhado em alguns), e de convívio com pares que apresentem os mesmos interesses, com familiares e com a sociedade em geral – viagens de pesquisa, viagens de lazer, colônias de férias, jogos, etc.
Ao participarmos do Grupo de Estudo – Professor Itinerante, oferecido neste 1° semestre pela SEED – PR, pudemos ter maiores informações a respeito da Sala de Recursos, espaço este em que o aluno terá oportunidade não só de ir em busca da sua construção de conhecimentos, como também de conviver com seus pares, com mesas idéias e potencialidades intelectuais, acompanhado e orientado por professor(es) que desenvolverá (ão) seu trabalho baseado em projetos coletivos ou individuais, dando suporte tanto científico como emocional, acreditamos ser de suma importância para a aprendizagem e vida desses alunos.
Não havendo a possibilidade da formação da sala de recursos, poderá ser propostas atividades extra-classe, de forma a oportunizar o desenvolvimento de suas potencialidades e habilidades.
2.Vocês acreditam na busca desses potenciais, que podem estar na sua escola?
Este grupo é formado por professores que apresentam duas características de atuação profissional, sendo: os que atualmente trabalham somente na Educação especial (no caso – Deficiência Intelectual Moderada) e os que trabalham um período na Educação Especial (D.I.) e no Ensino Regular.
É unânime a opinião de que a busca desses potenciais levará não somente o progresso do indivíduo como pessoa equilibrada e completa ( mesmo que as altas habilidades/superdotação estejam presentes apenas em determinada fase de sua vida), como para o avanço da civilização, quer seja na área tecnológica, biológica, de comunicação ou das artes.
Antes de qualquer coisa, como professores, somos responsáveis pela formação dos cidadãos que passam por nossas mãos, devemos SIM, e SEMPRE acreditar no potencial dos nossos alunos.
Devemos ter em mente que assim como os familiares, também fazemos parte da história de vida do nosso aluno. Quem é que não se lembra daquele professor que simplesmente “despejou” conteúdos em nossa cabeça?E daquele outro que se imiportou com o nosso fracasso? Ou que acreditou em nossas capacidades e tomadas de decisões?
Temos sempre que ter olhos para nosso alunado, verificarmos suas características, traçarmos caminhos que contemplem a maioria e criarmos pontes para aqueles que necessitam.
Referências:
1.Revista Canção Nova Notícias, 2006.
2.2. Anotações da palestra oferecida pela SEED – Professor Itinerante – Professora Simone – IEPPEP, junho de 2009.
3.Apostila oferecida pela SEED – “Altas Habilidades/Superdotação: Um desafio” – novembro de 2009.
Minha autoria
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20 de outubro de 2009
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SOBRE A CALIGRAFIA

Sobre a caligrafia
Arnaldo Antunes-20/03/2002
Caligrafia.
Arte do desenho manual das letras e palavras.
Território híbrido entre os códigos verbal e visual.
— O que se vê contagia o que se lê.
Das inscrições rupestres pré-históricas
às vanguardas artísticas do século XX.
Sofisticadamente desenvolvida durante milênios pelas tradições chinesa, japonesa, egípcia, árabe.
Com lápis, pena, pincel, caneta, mouse ou raio laser.
— O que se vê transforma o que se lê.
A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala.
A cor, o comprimento e espessura das linhas, a curvatura, a disposição espacial, a velocidade, o ângulo de inclinação dos traços da escrita correspondem a timbre, ritmo, tom, cadência, melodia do discurso falado.
Entonação gráfica.
Tais recursos constituem uma linguagem que associa características construtivistas (organização gráfica das palavras na página) a uma intuição orgânica, orientada pelos impulsos do corpo que a produz.
Assim como a voz apresenta a efetivação física do discurso (o ar nos pulmões, a contração do abdómen, a vibração das cordas vocais, os movimentos da língua), a caligrafia também está intimamente ligada ao corpo, pois carrega em si os sinais de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão, brutalidade ou leveza do momento de sua feitura.
A irregularidade do traço denuncia o tremor da mão. O arco de abertura do braço fica subentendido na curva da linha. O escorrido da tinta e a forma de sua aborção pelo papel indicam velocidade. A variação da espessura do traço marca a pressão imprimida contra o papel. As gotas de tinta assinalam a indecisão ou precipitação do pincel no ar.Rastos de gestos.A própria existência de um saber como o da grafologia, independentemente de sua finalidade interpretativa sobre a personalidade de quem escreve, aponta para a relevância que podem ter os aspectos formais que, muitas vezes inconscientemente, constituem a "letra" de uma pessoa.
O atrito entre o o sentido convencional das palavras (tal como estão no dicionário) e as características expressivas da escritura manual abre um campo de experimentação poética que multiplica as camadas de significação.Além disso, suas linhas, curvas, texturas, traços, manchas e borrões, mesmo que ilegíveis, ou apenas semi-decifráveis, podem produzir sugestões de sentidos que ocorrem independentemente do que se está escrevendo, apenas pelo fato de utilizarem os sinais próprios da escrita.
O A grávido de O.
Érres e ésses atacando Es.
.A multiplicação de agás.
Rios de Us e emes e zês.
Esqueletos de signos fragmentados.
Dança de letras sobrepostas possibilitando diferentes leituras.
Paisagens.
Horizontes ou abismos.
12 de outubro de 2009
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A deficiência física é definida como uma desvantagem, resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho motor de determinada pessoa.
-Movimentação sem coordenação ou atitudes desajeitadas de todo o corpo ou parte dele;
-Anda de forma não coordenada, pisa na ponta dos pés ou manca;
-Pés tortos ou qualquer deformidade corporal;
-Pernas em tesoura (uma estendida sobre a outra);
-Dificuldade em controlar os movimentos, desequilíbrios e quedas constantes;
-Dor óssea, articular ou muscular;
-Segura o lápis com muita ou pouca força;
-Dificuldade para realizar encaixes e atividades que exijam coordenação motora fina.
Causas perinatais: problema respiratório na hora do nascimento, prematuridade, bebê que entra em sofrimento na hora do nascimento por ter passado da hora, cordão umbilical enrolado no pescoço e outras;
No caso de jovens e adultos, a deficiência física pode ocorrer após uma lesão medular, aneurisma, AVC,
Como prevenir a deficiência física?
* Fazer acompanhamento médico pré-natal;
* Instalar infra-estrutura adequada nos berçários, para atender recém-nascidos; UTI para bebês com risco de vida, aparelhagem adequada, assepsia para evitar infecção hospitalar;
* Vacinação contra diversos agentes, como o vírus da poliomielite e da rubéola
DEFICIÊNCIA FÍSICA
A deficiência física é definida como uma desvantagem, resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho motor de determinada pessoa.
Que sinais podem ser observados nos portadores de deficiência física?
-Movimentação sem coordenação ou atitudes desajeitadas de todo o corpo ou parte dele;
-Anda de forma não coordenada, pisa na ponta dos pés ou manca;
-Pés tortos ou qualquer deformidade corporal;
-Pernas em tesoura (uma estendida sobre a outra);
-Dificuldade em controlar os movimentos, desequilíbrios e quedas constantes;
-Dor óssea, articular ou muscular;
-Segura o lápis com muita ou pouca força;
-Dificuldade para realizar encaixes e atividades que exijam coordenação motora fina.
CAUSAS
As causas são diversas, podendo estar ligadas a problemas genéticos, complicações na gestação ou gravidez, doenças infantis e acidentes
Causas pré-natais: problemas durante a gestação (remédios tomados pela mãe, tentativas de aborto malsucedidas, perdas de sangue durante a gestação, crises maternas de hipertensão, problemas genéticos e outras);
Causas pré-natais: problemas durante a gestação (remédios tomados pela mãe, tentativas de aborto malsucedidas, perdas de sangue durante a gestação, crises maternas de hipertensão, problemas genéticos e outras);
Causas perinatais: problema respiratório na hora do nascimento, prematuridade, bebê que entra em sofrimento na hora do nascimento por ter passado da hora, cordão umbilical enrolado no pescoço e outras;
Causas pós natais: parada cardíaca, infecção hospitalar, meningite ou outra doença infecto-contagiosa ou quando o sangue do bebê não combina com o da mãe (se esta for Rh negativo), traumatismo craniano ocasionado por uma queda muito forte e outras.
No caso de jovens e adultos, a deficiência física pode ocorrer após uma lesão medular, aneurisma, AVC,
Uma das doenças que já foi a maior causa de deficiência física no Brasil é a paralisia infantil a poliomelite, que atualmente está erradicada, graças às campanhas de vacinação e à tomada de consciência dos pais, que compreenderam a importância desta vacina. Há, contudo, a ocorrência da síndrome pós-polio, que deve ser observada com atenção.
É possível prevenir alguns tipos de deficiência física com um pré-natal bem feito e vacinação adequada
Como prevenir a deficiência física?
* Fazer acompanhamento médico pré-natal;
* Instalar infra-estrutura adequada nos berçários, para atender recém-nascidos; UTI para bebês com risco de vida, aparelhagem adequada, assepsia para evitar infecção hospitalar;
* Vacinação contra diversos agentes, como o vírus da poliomielite e da rubéola
* Capacitar pessoal para o resgate de vítimas de acidentes de trânsito;
* Conscientizar a população sobre os riscos da hipertensão e do diabete;
* Adotar medidas de segurança no trânsito, no ambiente de trabalho e na prática de esportes.
* Conscientizar a população sobre os riscos da hipertensão e do diabete;
* Adotar medidas de segurança no trânsito, no ambiente de trabalho e na prática de esportes.
Créditos: REDE SACI - http://www.saci.org.br, que traz inumeros artigos, esclarecimentos e leis que abordam o tema.
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LETRA CURSIVA x IMPRESSA
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CURSIVA X IMPRENSA / MESA COM /Z/?
E AGORA, PROFESSOR?
Leila Vilma da Silva BambinoPedagoga e psicopedagoga institucional/ Instituto Catarinense de Pós Graduação – ICPG Blumenau - Santa Catarina.
RESUMO
Este artigo foi escrito visando fazer uma reflexão sobre o tipo de letra a ser utilizado pelos alunos nas séries iniciais. Também visa refletir sobre a maneira de trabalhar o erro e a ortografia, bem como sobre as melhores maneiras de lidar com as diferentes formas de escrever utilizadas pelos alunos, tendo sempre em vista facilitar o processo ensino-aprendizagem e apontar caminhos para os saberes, utilizando a curiosidade natural dos alunos em benefício do seu saber.
Palavras-chave: Tipos de letra, alfabeto, ortografia, erro.
1. INTRODUÇÃO
Para quem convive em escolas e lida com as séries iniciais, dois assuntos são bastante discutidos e motivo de polêmica entre educadores e pais: o estilo de letra a ser utilizado pelas crianças e os erros gráficos, sobretudo em produções de texto.
Quanto ao estilo da letra, os sistemas de escrita mais antigos procuravam variar o menos possível a forma gráfica das letras. As escritas monumentais, feitas em pedra, por exemplo, exigiam um tipo de letra fácil de ser entalhado. Este modo de escrever as letras, separadamente, passou a ser conhecido como Textura na fabricação de livros a mão.Já em 1830, a escrita era feita com estiletes e penas de aço que facilitavam a escrita mais arredondada e com as letras emendadas.
Outro fator de mudança no estilo das letras é o seu uso. Em propagandas, como a finalidade é chamar a atenção, as letras necessitam ser diferentes. Já em livros e revistas, o estilo pode ser outro.
Nos dias atuais, temos a liberdade de criar e enfeitar, o que faz surgir as mais diferentes formas no traçado das letras.Em relação ao estilo da letra a ser utilizada nas séries iniciais, a comunidade, de certo modo, cobra veladamente uma postura do professor no sentido de utilizar a letra do tipo imprensa no início do processo de alfabetização e, depois, fazer uso da letra cursiva que possui um traçado de letras ligadas tornando mais rápido o registro.
Além de cobrar o estilo da letra, a comunidade também se preocupa em fazer cobrança no que se refere aos erros gráficos cometidos pelos alunos. Nesse sentido, professor que não faz a correção dos erros gráficos das produções de seus alunos também é visto com desconfiança.Em relação ao estilo de letra, Cagliari (1999, p. 104) afirma que[...] é essencial que os alunos aprendam (e pratiquem) primeiro a escrita e ponham-se a escrever como eles acham que deve ser. Somente depois, já mais familiarizados com o ato de escrever, serão levados a reconsiderar o que fizeram, em função das normas ortográficas.
Dado o contexto acima, o presente artigo tem como objetivo refletir a maneira de trabalhar a ortografia e os erros na escola, bem como considerar os vários estilos de letras existentes em nosso sistema.
2. A EVOLUÇÃO DA ESCRITA
Um grande marco na história da humanidade foi a invenção da escrita que surgiu e se desenvolveu da necessidade de o Homem armazenar informações - reforçando a memória - e de se comunicar a uma distância além do alcance da voz.
Segundo Cagliari (1999, p.15), “A escrita pelo que se sabe hoje, começou de maneira autônoma e independente, na Suméria, por volta de 3300 a.C. É muito provável que no Egito, por volta de 3000 a.C., e na China, por volta de 1500 a.C., este processo autônomo tenha se repetido”.
Para chegar ao alfabeto atual, a escrita passou por muitas alterações. Utilizada pelo homem primitivo para registrar fatos ocorridos, a escrita pictográfica (desenhos) ainda hoje é encontrada em escavações arqueológicas, demonstrando ser antiga a idéia de escrever.Em seguida, veio a escrita ideográfica, hoje utilizada principalmente pelos povos ocidentais, com destaque pelos chineses, que utilizam símbolos para expressarem suas idéias. São palavras ou conjuntos de palavras que são representados por desenhos chamados ideogramas.
No caso da escrita chinesa, há certa razão para ser conservado o sistema ideográfico: na China, há mais de mil dialetos, que são variações de uma mesma língua, sendo que não diferem na estrutura básica, apenas um pouco nas palavras. Isso significa que um texto, em chinês, é escrito de maneira igual em todos os dialetos, mesmo com a pronúncia sendo diferente.
O fonetismo, por sua vez, é um sistema no qual as palavras passam a ser decompostas em unidades sonoras, aproximando a escrita da sua função que é a de interpretar a língua falada. Utiliza a leitura de figuras que terão sentido de palavras por meio do som, recurso usado nas cartas enigmáticas.A escrita continuou evoluindo, passando a ser silábica. Nesse sistema, a palavra é decomposta em um conjunto de sons.
Chegamos ao alfabeto - cujo termo tem origem nas duas primeiras letras do alfabeto grego, alfa e beta – que, de fenício passou a grego, ao romano e, finalmente, ao latino, o mais utilizado em todo mundo.O sistema alfabético é caracterizado pelo fonetismo, sistema em que cada símbolo (letra) corresponde a um som.Esse conjunto de letras que chamamos de alfabeto torna-se o início da nossa estrada rumo ao universo escrito.
3. O ESTILO DAS LETRAS
Assim como o alfabeto, a escrita também foi se adaptando. Escrever sobre papiro e, mais tarde, sobre pergaminhos exigia um traçado de letras mais arredondado, ou seja, materiais diferentes de escrita exigiam abordagens diferentes.
Assim, de acordo com Cagliari (1999), os sumérios substituíram o risco na argila por um processo de pressão que permitia que desenhassem afundando marcas nos tabletes.Muitas das formas escritas primitivas, como a cuneiforme e a fenícia, permitiam aos mercadores registrar suas transações, pois a memória não daria conta de tanto.As primeiras letras usadas pelos escribas foram as romanas (200 a.C.), a quadrata (100 a.C.) e a rústica, já no inicio da era cristã.
Já no século IV d.C., surgiu a uncial, sendo que “o nome de uncial foi atribuído a este tipo de letra porque os parágrafos manuscritos começavam sempre com uma letra grande, do tamanho de uma unha” ( Cagliari, 1999, p, 193).
Já no século XIII, surgiram as letras góticas e romanas. Com a crescente demanda da escrita, o estilo cursivo fez-se necessário (século XVII), pois apresentava um traçado de letras ligadas, facilitando uma escrita rápida.
Cagliari (1999, p.187) explica que “Um simples olhar no mundo da escrita com a qual temos contacto hoje nos mostra tanta variação na forma gráfica que, por um momento, surge a dúvida: como conseguimos ler em meio a este aparente imenso caos?”A escrita segue regras claras e rigorosas que devem ser transmitidas às crianças durante o processo de alfabetização. Assim sendo, a aparente confusão não causará medo, pois estamos diante de um fato: uma complexidade gráfica.
4. O MUNDO DAS LETRAS
Existem, na nossa língua, várias maneiras de registrar graficamente a mesma letra. O som também vai depender da palavra na qual esta letra estiver colocada. Este caráter gráfico e social é estabelecido pela ortografia.Existem palavras em português que a letra A representa som de /ã/, como em lama, dama, cama, som de /ai/, como em rapaz, paz, atrás. Assim sendo, é difícil determinar o valor de cada letra dentro do sistema alfabético. Muitas vezes, a letra muda seu som, sem, contudo, mudar sua forma: continua sendo a letra A.Estas variações de sons são trabalhadas ao longo de todo processo de alfabetização,cabendo ao professor apresentar às crianças as letras do alfabeto, bem como suas variações, como nos exemplos acima.
Conforme Cagliari (1999, p.49), [...] primeiramente, apenas o alfabeto de letras de forma maiúsculas. [...] este procedimento não é apenas uma moda: é uma forma mais fácil, concordam todos de se chegar ao aprendizado da leitura. Embora muitos professores possam constatar essa maior ‘facilidade’ na prática do seu dia-a-dia, talvez nem todos saibam realmente as razões por trás desse fenômeno.
Para dominar o mundo das letras, a criança passa pelo processo de alfabetização, cabendo ao professor optar por mecanismos que otimizem o processo.
5. LETRA DE IMPRENSA OU CURSIVA?
Mas, e agora? O alfabeto foi aprendido, os valores sonoros de cada letra também. As palavras viraram histórias e eis que vem a pergunta: “Posso escrever com letra pegada?”.A criança sente necessidade de uma auto-afirmação, e a letra do tipo imprensa parece não mais atender ao seu desejo, pois ela a vê como letra de criança pequena. Como agir?
É com as letras tipo imprensa que as crianças têm um maior contato desde cedo, em jornais e revistas, o que resulta em uma elaboração de hipótese sobre a escrita muito precocemente. O traçado é simples, dando à criança liberdade ao ato de escrever, favorecendo a percepção das unidades e diminuindo o esforço motor.
A letra cursiva é mais rápida de ser traçada, porém exige da criança uma coordenação motora mais definida.De acordo com Cagliari (1999 p.41).
A escrita cursiva tinha dois problemas: por ser feito com rapidez, o traçado das letras tendia a se modificar na escrita de cada um – por outro lado, a escrita cursiva produz ligaduras. Depois de unidas as letras, o aspecto gráfico pode mascarar os limites individuais das letras, gerando confusões entre os usuários.É mais importante que a criança compreenda e entenda a função e as características da escrita do que se preocupe com o tipo de letra a ser utilizado. “Em primeiro lugar, é preciso ensinar a escrever e, somente depois, deve-se preocupar com os requintes da escrita” (CAGLIARI E CAGLIARI, 1999, p.79).
Entretanto, não é o que geralmente ocorre. Alguns professores, ainda nos dias atuais, insistem em utilizar somente a letra cursiva depois de um determinado período, deixando alguns alunos bastante confusos.
De acordo com Tafner e Fischer (2001, p.19),O mundo está escrito em letras de forma. O mesmo mundo onde a criança vive cresce e aprende. Não espere dela um desenvolvimento pleno em cursivas quando tudo o que ela lê em torno dela é escrito com letras de forma. As letras de forma são naturais para ela, pois fazem parte do seu mundo.
A escrita cursiva tem um uso exclusivamente pessoal e, com o desenvolvimento tecnológico, a escrita a mão quase deixou de ser feita. As letras cursivas viraram arte nas mãos de pessoas que têm o dom de escrevê-las em convites, cartazes, murais etc.No dia-a-dia, a escrita cursiva acabou perdendo um pouco sua importância. Porém, na escola, ela continua sendo motivo de discussão entre alguns educadores. Existem professores que acham que se os alunos escreverem com a letra do tipo bastão não aprenderão a escrever com a letra cursiva, como se o alvo a ser atingido na alfabetização fosse o de escrever “redondinho” e igual a todos os outros alunos.
Na visão de Cagliari (1999, p.109),O bonito da verdadeira educação é ser um caleidoscópio: a diferença a todo instante é seu charme e beleza; cada momento revela algo de novo e surpreendente. A educação deve formar pessoas diferentes, não clones, réplicas intelectuais.Ao lidar com crianças, é preciso ter em mente que elas são seres individuais e únicos, bem como que “na educação se propõe, e não se impõe” (Cagliari, 1999. p.111).
O importante é compreender o que está escrito. Se for estabelecida uma comunicação entre professor e aluno, a finalidade da escrita estará cumprida.
6. ORTOGRAFIA: UMA EXIGÊNCIA SOCIAL
Como falar sobre letras, palavras, frases, textos e não mencionarmos a ortografia, um veículo utilizado para clarear a comunicação, mas que acaba virando mecanismo de exclusão?A escrita é uma representação oral da linguagem cujo objetivo é a leitura. Quando escrevemos um texto, utilizamos como recurso as palavras que serão interpretadas pelo leitor. Fazemos uso, também, da escrita ideográfica (números, gráficos etc.).A fala comanda o ato de escrever. Já “a escrita, na verdade, não passa de um uso sofisticado da própria linguagem oral, cristalizada na forma gráfica” (Cagliari, 1999.p.65).
A partir do momento em que a sociedade produziu a escrita e à medida que passou a utilizá-la mais, surgiu a necessidade de fixar a forma de escrever as palavras. Isso para que pessoas de diferentes dialetos pudessem ler de maneira fácil, pois, do contrário, o significado das palavras ficaria comprometido.
A ortografia tornou-se uma exigência social a partir do momento que fixou a grafia das palavras, fazendo com que escritor e leitor interpretassem da mesma forma seu significado dentro de um contexto escrito.Muitas vezes, um texto criativo com falhas desperta menos interesse do que outro graficamente impecável, mas sem vida.
Segundo Fischer (1997, p.12) "No início da alfabetização, os erros gráficos são cometidos ao longo do processo da escrita e, longe de representarem desatenção, letras ‘comidas’, desinteresse da criança, representam uma forma cognitivamente estruturada de pensar o funcionamento da escrita.
Quando o professor mostra para a criança o alfabeto, precisa, além do nome da letra, mostrar seu respectivo som. Será bastante natural que a criança, ao escrever mesa, troque o /s/ pelo /z/, pois é influenciada pelo som, que é de /z/. Mais tarde, caberá ao professor explicar que existe uma ortografia vigente em nosso país segundo a qual a letra /s/ entre duas vogais tem som de /z/, embora, em outros casos, esta mesma regra não seja válida.
No início, estes “erros” serão bastante freqüentes e somente com bastante leitura e a mediação do professor serão superados.Quando o educador apresenta a escrita para as crianças, é natural que as mesmas escrevam do jeito que falam. Em suas produções, aparecem: abakt (abacate), rezolva (resolva), muinto (muito), ptc (peteca) e assim por diante. Todos estes passos são absolutamente normais durante o processo de alfabetização.Das palavras começam a surgir frases; depois, os pequenos textos, sendo fundamental que esses textos sejam trabalhados pelo professor de forma espontânea. Quando falam, as crianças não precisam seguir roteiros nem esquemas: elas simplesmente falam.
Cabe ao professor permitir que elas dêem asas a sua imaginação de acordo com as idéias que possuem. Para Cagliari (1999, p. 215), a marca da individualidade faz de um simples texto um trabalho original, e se seu estilo agradar à comunidade, torna-se um texto literário.
Por meio das produções espontâneas, professor e aluno se envolvem no processo de escrita, refletindo sobre erros e buscando caminhos para contorná-los.É fundamental que o professor tenha objetivos claros ao utilizar tal instrumento, pois, do contrário, pode se ater apenas aos erros e não à produção em si.Para o educador, errar é um horror; o erro acarreta a vergonha, a punição e finalmente a exclusão. Quando era preciso fazer justamente o contrário: aproveitar cada erro para refletir com o aluno e ajudá-lo a encontrar a direção lógica. (FISCHER, 1997, p.12).
A criança precisa reler sua produção com o professor e corrigi-la sempre que necessário. Em seguida, escrevê-la novamente, sempre objetivando a comparação entre a escrita anterior e a atual, percebendo com isto os avanços.
Errar faz parte da aprendizagem. É por meio do erro que construímos novos saberes, sempre com a perspectiva de melhorar.Apesar de as pessoas utilizarem a mesma língua, falam de maneira diferente conforme sua localização regional. Nosso sistema ortográfico atende a uma exigência social e não se preocupa com a maneira do usuário falar e sim, com as convenções da escrita.
A criança, quando chega à escola, tem um falar próprio, trazido da família, que será transformado em escrita. O erro aparecerá, cabendo ao professor a tarefa de não supervalorizar o erro, e sim transformá-lo em acerto por intermédio de estímulos à leitura e de pesquisas a dicionários.
O erro sempre tem uma explicação. Tudo que o aluno faz ou, até mesmo, deixa de fazer tem uma razão para ele. Ao professor cabe a tarefa de perguntar para, assim, poder ensinar adequadamente.
Cagliari (1999, p.82) comenta que:A escola precisa aprender que a ortografia é um fim e não um começo, quando se ensina alguém a escrever. Primeiro, a criança precisa aprender a lidar com a escrita e, depois, preocupar-se em escrever ortograficamente. Isto não significa que vamos deixar as crianças escreverem sempre o que quiserem e como quiserem, porque vale tudo. A escola, como instituição, não pode admitir uma pedagogia do vale-tudo. A escola tem uma missão a cumprir. E faz parte dela o ensinar a escrever e escrever ortograficamente. Uma coisa não precisa destruir a outra. Tudo tem o seu tempo e o seu lugar.
Uma criança em fase de alfabetização está aprendendo a lidar com a escrita. Nesse sentido, o professor tem a tarefa de ensiná-la a desconfiar daquilo que escreveu, raciocinar sobre o fato e buscar informações para saber se escreveu certo ou não.Por meio da produção de textos espontâneos, o professor poderá saber o nível em que seus alunos estão, suas maiores dificuldades, os erros mais ou menos freqüentes. Poderá organizar seu planejamento a fim de trabalhar com estas dificuldades aplicando exercícios específicos.
A autocorreção deve ser um instrumento utilizado com freqüência. Rever os textos, melhorá-los, mas sem imposições nem cobranças. Ler e reler por prazer. Por meio da leitura, o aluno resolverá a maior parte de suas dificuldades.
As crianças não conseguem prontamente escrever tudo de maneira correta, como o professor deseja. Aquela grafia linda, sem erros gráficos, será conseqüência de um trabalho feito em longo prazo.
De acordo com Ferreiro (2000, p.21), a escola (como instituição) se converteu em guardiã desse objeto social que é a língua escrita e solicita do sujeito em processo de aprendizagem uma atitude de respeito cego diante desse objeto, que não se propõe como um objeto sobre o qual se pode atuar, mas como um objeto a ser contemplado e reproduzido fielmente, sem modificá-lo.
Na fase de alfabetização, deve estar claro para o professor – bem como para as crianças - que a função da língua escrita é a comunicação e o registro das idéias.
Ambos devem estar conscientes também em relação ao erro: Erro de ortografia relaciona-se com as hipóteses que o aluno levanta sobre a escrita, apenas isso (CAGLIARI, 1999, p.246).
O erro gráfico deverá ser visto, portanto, como instrumento de aprendizagem e não como motivo de vergonha, pois é inevitável que um indivíduo cometa erros quando está em processo de aprendizagem. É certo também que estes erros devam ser corrigidos, deixando claro para os alunos que eles devem sempre se aventurar nos conhecimentos que já têm, sabendo, contudo, que nem tudo sairá correto.
Os alunos estão apenas começando seus estudos e terão muito tempo para acrescentar conhecimentos novos e sanar dificuldades.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo foi elaborado com o intuito de levar pais e professores à reflexão sobre o tipo de letra usado pelas crianças e sobre seus erros gráficos, assuntos que fazem parte do dia-a-dia escolar.A utilização da letra de imprensa ou cursiva não deve ser o foco principal de discussão em uma escola, e sim a importância da escrita, feita com qualquer tipo de letra, desde que existam comunicação e registro de idéias.A ortografia deve ser levada bastante a sério. Ao professor caberá a função de deixar que as crianças errem muito e aprendam a buscar soluções, exercendo a função de condutor da aprendizagem, mediando, interagindo, aprendendo.
Ninguém nasce sabendo, e a aprendizagem é algo bastante subjetiva. Podemos aprender mais facilmente alguns assuntos que outros, o que não significa que sejamos melhores ou piores. Significa apenas que somos indivíduos diferentes, sendo que esta diferença é que faz da educação algo maravilhoso em que a rotina não tem vez.
Vamos, portanto, deixar que as crianças escrevam e que exercitem sua liberdade de registrar idéias como quiserem. As correções podem ficar para mais tarde, sem, contudo, serem esquecidas.As crianças querem ser ouvidas, respeitadas, motivadas a continuar. A valorização da auto-estima, o contato visual, o calor humano também fazem parte de uma educação de qualidade.
Todo o restante será conseqüência de um trabalho feito com amor. O maior privilégio de um professor é poder caminhar lado a lado com os seus alunos, observando seus progressos, auxiliando nos seus tropeços, sempre pronto para estender a mão.8.
REFERÊNCIAS
CAGLIARI, Gladis Massini;
________, Luiz Carlos. Diante das Letras: a escrita na alfabetização. São Paulo: Fapesp, 1999 (Coleção Leituras do Brasil)
_________, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o Ba –Bé – Bi – Bó – Bu .1. ed. São Paulo: Scipione, 1999.
FERREIRO, Emília. Com todas as letras. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
FISCHER, Julianne. Sugestões para o desenvolvimento do trabalho Pedagógico. Timbó: Tipotil, 1997.TAFNER, Malcon Anderson;
FISCHER, Julianne. Manga com leite mata: reflexões sobre os paradigmas da educação. Indaial: Ed. Asselvi, 2001.
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29 de julho de 2009
***** NÃO COPIAR O ARTIGO NA ÍNTEGRA, NEM PARTES DO MESMO, SEM DAR OS DEVIDOS CRÉDITOS. ARTIGO ESCRITO POR MIM E REGISTRADO EM CARTÓRIO. O NÃO CUMPRIMENTO DA REGRA IMPLICARÁ EM PROCESSO CRIMINAL DE CÓPIA SEM AUTORIZAÇÃO. OBRIGADA. Viviane Patrice******
"A ARTE EDUCAÇÃO E O DOENTE MENTAL "
Viviane Patrice Bertoncini[1]
RESUMO
Este trabalho aborda a Arte-Educação como processo de ressocialização de doentes mentais, beneficiando tanto o indivíduo que se encontra interno, como a família do mesmo e a comunidade em si. Relata historicamente as visões que a humanidade teve sobre a loucura, até que a mesma fosse considerada doença mental, relata algumas contribuições da arte-educação sobre o autoconhecimento e sobre o processo de aquisição do interesse pelo trabalho em grupo, cita o trabalho de especialistas em tratamento com doentes mentais na visão junguiana, traz comentários baseados em pesquisas bibliográficas a respeito da contribuição das Artes, no processo de ressocialização de cidadãos que necessitam de uma inclusão na sociedade. Para a coleta de informações foi utilizada uma revisão de literatura selecionada, na qual se observa que a Arte-Educação tem como função a melhora psico-sócio-emocional do doente mental, favorecendo a sua integração social. Nota-se que o professor/arte-educador deve assumir o papel de agente facilitador no processo da terapia e do despertar da arte, pois sua real função será de agente motivacional para que o doente mental consiga expressar seus sentimentos através da linguagem plástica. Pôde-se observar, por meio das literaturas, que o projeto de ressocialização através da arte vem sendo uma constante por vários médicos psiquiatras, terapeutas e demais especialistas da área, em doentes mentais ou internos que permaneceram por longo tempo afastado da sociedade, por acreditarem na mudança positiva que tal atividade opera no indivíduo.
Palavras-chave: Arte-educação, ressocialização, doente mental, esquizofrenias, arte-terapia.
INTRODUÇÃO
O presente estudo versará sobre a Arte Educação e os Doentes Mentais. Para avançar na questão da ressocialização do doente mental interno, faz-se necessário definir os tipos de doenças mentais, bem como conhecer suas características para que possam ser desenvolvidos trabalhos visando à ressocialização dos internos, ou, então, para que, na impossibilidade de recuperação total, possam ser desenvolvidos projetos que permitam o desenvolvimento de habilidades tanto como forma de terapia, quanto para o trabalho. Por outro lado, é necessário conhecer qual o melhor método para trabalhar a mente dessas pessoas, pois é sabido que a arte-educação aliada à arteterapia tem alcançado ótimos resultados como tratamento e ressocialização de doentes mentais, tanto em hospitais psiquiátricos como em Complexos Médicos Penais.
Como aspecto metodológico, o estudo pautar-se-á nas pesquisas em obras literárias e sites disponíveis, voltados ao tema proposto.
O trabalho será distribuído de forma a atingir os seus objetivos. No primeiro item serão abordados os aspectos da história da loucura situando as diferentes formas de visão e tratamento dados aos loucos, incluindo-se aqui o Hospício do Juqueri, entre outros.
O segundo item abordará a Arte Educação e a Arteterapia pautada nos estudos científicos de Carl Jung, a visão do inconsciente individual e inconsciente coletivo, bem como as experiências clínicas que tal estudioso desenvolveu, em trabalhar com o fazer artístico como atividade criativa e integradora da personalidade. Tais métodos serviram de base para Osório César que atuou no Hospital Psiquiátrico do Juqueri[2] e Nise da Silveira que desenvolveu o mesmo método no Rio de Janeiro, chegando inclusive a fundar uma instituição para atender os doentes mentais regressos, a fim de trabalhar melhor o psíquico dos mesmos, fortalecendo a auto-estima, o autoconhecimento e o interesse do trabalho em grupo.
Posteriormente trataremos da arte educação e o processo de ressocialização de cidadão que necessita de inclusão na sociedade, onde o ato de criar e o papel fundamental do espectador como elo entre o artista e o significado da obra. As artes são verdadeiros momentos de motivação individual e coletiva. Estudar a escultura, o desenho e a pintura, atrai a atenção de estudiosos do comportamento humano, principalmente quanto tais obras são elaboradas por pessoas com doenças ou transtornos mentais.
Objetiva-se no desenvolvimento deste estudo em fornecer informações relevantes para a confirmação da ressocialização através da arte para os doentes mentais.
ESTUDOS E DEFINIÇÕES SOBRE A LOUCURA
A loucura sempre foi temida pelo ser humano, embora seja tão antiga quanto o mesmo.
No início, o homem considerava que o louco era dominado por um espírito satânico: que se apropriava do seu corpo e da sua mente através da: POSSESSÃO DEMONÍACA PARCIAL, quando o diabo entrava no indivíduo, desordenando suas idéias, suas práticas e afetos; ou da POSSESSÃO DEMONÍACA TOTAL, quando o corpo possuído era lançado ao solo e sacudido (epilepsia). (CARVALHAL RIBAS, 1964, p. 64).
Dos tempos mais remotos até o século XVI, o tratamento dado aos loucos, não passaram de tentativas cruéis de os eliminarem da vista dos normais, enxotando-os para fora dos muros das cidades, até serem transportados em naus e desembarcá-los, à sorte de terras estranhas. Tal método ficou conhecido como Naus dos Loucos (FOUCAULT, 1978), pratica expressiva do impacto da normalidade versus loucura.
PALOMBA (2003) define loucura ou psicose quando o indivíduo perde, ou diminui o contato com a realidade, ou ainda pode-se dizer que é a incapacidade de prever a realidade. Ou seja, estas pessoas perdem as características normais passando a serem consideradas loucas por ter em si alterações de pensamento, os considerados delírios, ou criar uma nova realidade, como por exemplo: criar dupla personalidade, acreditando ser alguém conhecido pelo público, como Presidente da República ou mesmo alguém que já veio a falecer, acreditando ser Napoleão Bonaparte. Pode julgar ser o centro de tudo, um Deus, ou ainda acreditar em percepções como alucinações, auditivas e visuais, crendo terem visto ou ouvido, certas coisas que jamais vieram a existir.
Podemos colocar a loucura, de forma abreviada se usar de conceitos sobre a doença mental, ou seja, subdividir a “loucura” em diversos itens, como por exemplo: a Esquizofrenia, a Psicose, as Neuroses e ainda as causadas por dependência química, tais como o alcoolismo, a de substâncias psicoativas. Desta forma é importante caracterizá-las para a compreensão do que cada uma pode causar na personalidade do doente mental.
O termo psicose, no vocabulário psiquiátrico, refere-se a um distúrbio maciço do sentido da realidade. Estudos Psicodinâmicos mostraram que, tanto na criança, quando no adulto, o sentido da realidade é inseparável do conjunto da organização da personalidade.
Ressaltamos que, no adulto, só se emprega a palavra psicose seguida de um qualificativo: esquizofrênico, delirante, alucinatória, maníaca. (AUBIM, 1976, p.15).
LEBOVICI (1973) trata esse assunto da seguinte forma:
Pode-se, por exemplo, considerar a confusão entre animado e inanimado do autismo como estando ligado a uma ausência de envelope psíquico; a confusão entre Si - mesmo e outrem das psicoses de tipo esquizofrênico como sendo devida a uma violação dos limites entre espaços psíquicos do sujeito e espaço psíquico de outrem; pode-se considerar as psicoses distímicas como devidas a uma destruição dos limites entre si mesmo e objetos internos.
Então, torna-se imprescindível descobrir o que é cada uma dessas doenças, pode-se iniciar com a esquizofrenia, que nada mais é do que, um transtorno mental psicótico, mas para se chegar a essa definição, foram necessários estudos que, na verdade iniciam-se em 1911, quando foi criado o termo “esquizofrenia”. O precursor destas pesquisas foi Eugem Bleuler, psiquiatra que em 1908 introduziu este termo, partindo de dementia praecox, que reuniu as síndromes de catatonia, hebefrenia e paranóia, em apenas uma condição. Ele descreveu, o esquizofrênico como alguém que possui mais de um transtorno, e que tem alucinações, delírios e desorganização do pensamento, assim pode-se declarar contrário ao termo “demência”. Bleuler, ainda apoiou-se em uma associação de idéias, desejos e impulsos contraditórios, em uma perturbação do afeto e do autismo para caracterizar as ações esquizofrênicas.
KAPLAN (2003) crê que uma boa parcela da população é acometida desta doença, mesmo antes dos 25 anos e sem que haja distinção de classe social. Podendo diagnosticar tal preceito através de um exame do estado mental. Pode perceber ainda, que é raro o aparecimento de casos de esquizofrenia antes dos 10 anos de idade e após os 50, não há diferença entre sexo.
Podemos destacar que os estudos sobre a esquizofrenia, conceituaram-na de forma que a subdividisse em tipos conforme o diagnóstico e ao prognóstico.
Baseando-se nas classificações de BALLONE, as esquizofrenias podem ser as seguintes:
- Paranóide: Tipo de esquizofrenia com melhor prognóstico, por ser mais comum e de melhor resposta aos tratamentos. O paciente que se enquadra nessa condição, sofre do delírio de perseguição, achando que o mundo o persegue que todos estão contra ele e desejam-lhe o mal; tais pensamentos podem ser acompanhados de alucinações, visão de pessoas mortas, monstros, diabos ou elementos sobrenaturais. Muitas vezes as idéias religiosas ou políticas, o convencem de ser o salvador do mundo.
- Hebrefrência ou desorganizada: Os pacientes pertencentes a este grupo apresentam problemas de concentração, falta de coerência de pensamento, pobreza de raciocínio; podendo apresentar discurso infantilizado, fazendo comentários fora do contexto e saem com facilidade do tema da conversa. Não controlam suas emoções, podendo gargalhar em momentos de extrema tristeza, ou impróprios ou chorarem sem saber o porquê. Os delírios também são freqüentes.
- Catatônica: Tipo menos freqüente de esquizofrenia, tendo como características transtornos psicomotores e dificuldades na locomoção podendo também ser freqüente, a falta da fala. Caso permaneçam por longo tempo em crises, podem se pender ao álcool e ás drogas.
- Residual: Esquizofrenia instalada há muitos anos e com várias seqüelas, tais como isolamento social, comportamento excêntrico, emoções inapropriadas e pensamentos sem lógica.
- Simples: Tipo pouco freqüente, seu aparecimento é lento, geralmente iniciando na adolescência, com irregularidades emotivas. Vagarosamente vai se instalando o isolamento social, perde os amigos, as relações familiares tornam-se escassas, alteração de caráter, tornando-se totalmente anti-sociável, findando em depressão. Não são observáveis surtos agudos.
2. ARTE EDUCAÇÃO
No início do século XX, Sigmund Freud (1856-1939) se interessou pela arte e através de estudos concluiu que o inconsciente se manifesta através de imagens e que estas podem expressar maiores informações do que as palavras. Segundo FREUD, os artistas podem através de suas obras de arte, simbolizar conteúdos do psiquismo que estão presos no inconsciente, visto que as imagens escapam mais facilmente da censura da mente do que as palavras.
Ana Mae Barbosa (1984), grande pioneira da Arte-educação no Brasil, defende o ensino da arte nas escolas, com o objetivo de resgatar a qualidade do ensino e da aprendizagem dos adolescentes. A professora acredita que a arte-educação além de facilitar o trabalho em grupo, despertar o lado artístico e crítico, prepara o aluno para enfrentar melhor o mundo. Preocupada com a qualidade do ensino de Artes no Brasil, propõe ao Estado uma reforma curricular com conteúdos mais críticos e combativos, que denotem maior domínio teórico e com investigação histórica, visto ser impossível trabalhar a Arte, sem abordar o tempo histórico e relacioná-los ao contexto em que vivemos.
A abordagem mais atual de Arte-Educação no Brasil é a associada ao desenvolvimento cognitivo, sendo Rudolf Arnheim, o propulsor da idéia de Arte para o desenvolvimento da Cognição, baseando suas concepções na equivalência configuracional entre percepção e cognição.
Para ARNHEIM (Apud BARBOSA, 1975) “... perceber é conhecer”, afirma que a Arte requer julgamento, porém exige regras que necessitam ser conhecidas antes de afrontá-las. Tais regras podem ser entendidas como a gramática visual, fundamento básico às operações envolvidas na cognição como: percepção, recepção, interiorização de informação, atenção, memória, pensamento e finalmente, aprendizagem.
2.1 ARTETERAPIA NA VISÃO JUNGUIANA
Ao longo deste item abordar-se-á o tema arteterapia, pautados na visão de Carl Jung, cuja teoria parte do princípio de que todo indivíduo com seu curso natural de vida, em seus processos de autoconhecimento e de transformação são orientados pelos símbolos[3]·. Estes surgem do self [4], sendo a plenitude individual, o centro controlador da psique e à essência do sujeito. No decorrer de sua existência, o indivíduo através dos símbolos, vai reconhecendo e compreendendo o self, que deve ser respeitado. “O Símbolo configurado em materialidade, leva à compreensão, transformação, estruturação, e expansão de toda a personalidade do indivíduo que cria”. (PHILIPPINI, 2000).
Na abordagem junguiana, a arteterapia deve proporcionar diversos materiais expressivos, (no caso criações artísticas: esculturas, telas, desenhos diversos), significativos e adequados a fim de propiciar a expressão e a comunicação de símbolos da psique (como afetos, sonhos, emoções, sentimentos, conflitos, desejos) para o meio exterior, possibilitando reconstruções, reconhecimentos, resgates e transformações.
Foi Jung[5] o primeiro médico psiquiatra a utilizar-se da arte em consultório, pois considerava que, na arte, ocorria a simbolização do inconsciente individual e do coletivo. No início da década de 20, utilizou-se da linguagem expressiva como terapia e, para isso, solicitava aos pacientes, que fizessem desenhos livres, imagens de sonhos, de sentimentos, de situações da infância ou mesmo conflitantes[6]. Jung chegou a afirmar que a criatividade tem uma função psíquica natural e estruturante; e que a energia psíquica não se altera enquanto não se transforma. Defendeu também a idéia que tanto a atividade plástica, quanto a criatividade são funções psíquicas inatas e que contribuem com a evolução da personalidade e com a organização do pensamento. (JUNG, 2000)
Osório César, em São Paulo e Nise da Silveira, atuando no Rio de Janeiro, são os grandes representantes da arte educação no Brasil, ambos seguiram o pensamento de Freud e Jung, no que diz respeito a doentes mentais internos.
Através dos estudos dedicados e da analise das produções artísticas dos doentes mentais, Osório César concluiu que as obras de arte dos doentes tinham o cunho emocional, pois eram trabalhos espontâneos que satisfaziam as necessidades instintivas.
Os símbolos que os doentes usam para as suas produções artísticas pertencem à simbologia que Freud observa na interpretação dos sonhos. Assim, os órgãos genitais masculinos são, por exemplo, representados por bengalas, limas, serpentes, punhais, revólveres, torneiras, dirigíveis Zepelim, peixes etc. Os órgãos femininos têm sua representação em vasos, caixas, cofres, portas, frutos etc (CÉSAR, 1955, p.27)
Para CÉSAR, as manifestações artísticas nos doentes internos são baseadas na regressão da hereditariedade; ou seja, o homem manifestaria através da Arte, a origem e o desenvolvimento da espécie.
O homem primitivo é de índole profundamente supersticiosa. Todos os fenômenos da natureza que ele observa têm uma expressão de terror manifesto na sua mentalidade. Dessa maneira ele interpreta o trovão, o raio, as chuvas copiosas. Vem daí, talvez, a necessidade da criação do símbolo - origem da arte - para amenizar esse primeiro sofrer representando já o esboço de uma filosofia elementar da vida. E essa filosofia torna-se código de vida em certas comunidades primitivas atuais com os totens e tabus (CÉSAR, 1955, p. 128).
Nise da Silveira destacou-se na medicina psiquiátrica por se recusar a aplicar eletrochoques, induzir o coma insulínico e ministrar drogas aos doentes mentais; diante de tal ato, foi designada a atuar na área de Terapia Ocupacional do Hospital, onde na época a “Terapia ocupacional” consistia em dar atividades de limpeza aos internos; aqueles que respondiam bem aos tratamentos e que eram considerados ‘calmos’ ocupavam-se de atividades como varrer corredores, limpar sanitários, ou seja, desenvolviam um trabalho que o mantinham ocupado e que economizaria para os cofres dos manicômios. A Dra. Nise alterou o destino do tratamento psiquiátrico no Brasil, quando resolveu substituir o tratamento aplicado e as atividades destinadas aos doentes mentais, na década de 40, pela Terapia Ocupacional voltada à pintura e modelagem.
Para Dra. Nise, o essencial para se trabalhar com os doentes mentais internos é o carinho, pois os pacientes são seres humanos e devem ser tratados com muito afeto, para posteriormente ter acesso a suas necessidades, sentimentos e fraquezas. Esse foi o diferencial no tratamento adotado pela Dra. Nise aos doentes mentais, aqueles a qual a sociedade tratava com desprezo, preconceito, rispidez e que eram marginalizados como “Louco”.
Com as obras de seus pacientes, veio a fundar em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente e em 1956, contando com o apoio de pessoas que acreditavam no seu trabalho, fundou a Casa das Palmeiras, clínica destinada ao tratamento de doentes mentais egressos de Hospitais Psiquiátricos, cujas atividades artísticas eram utilizadas como tratamento e em regime de externato. O retorno dos doentes mentais às Instituições era uma freqüente, pois o preconceito dificultava a volta destes à sociedade, algo que afetava diretamente sua recuperação. Todo o trabalho destinado aos doentes tinha como ênfase a importância do contato afetivo e do incentivo a expressão criativa; a Casa das Palmeiras era e ainda é, a transição entre o hospital psiquiátrico e o mundo externo, preparando as pessoas ali atendidas para voltar à comunidade, no momento mais oportuno.
Algumas frases, expostas na Casa da Palmeira, definem bem o modo como pensava e trabalhava Nise da Silveira: “O que melhora no atendimento é o contato afetivo, de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito”, ou ainda: “Acho um desaforo chamar alguém de paciente, doente mental ou louco. Eles são pessoas como as outras, são clientes. Chamo-os todos pelo nome”.
As obras desenvolvidas pelos pacientes eram passaportes para o conhecimento mais íntimo dos esquizofrênicos. No conceito da Dra. Nise, por fazerem parte do tratamento e conter expressões dos doentes internos, as obras não poderiam ser comercializadas, não haveria valor que pudesse pagar aquele testemunho e o estudo das aflições humanas.
Se fossem vendidas pinturas, esculturas e outros objetos, não existiria museu algum. Dá pra entender? Seriam dispersadas as formas reveladoras do interior da psique, isto é, o material que verdadeiramente interessa à psiquiatria (Silveira, 1951, aput GULLAR, 1996)
Nise interpretava as pinturas e esculturas de seus ‘clientes’, enxergando nelas aquilo que eles não exteriorizavam por via da comunicação lingüística. O desenho dá margem à liberdade. A censura é maior na linguagem verbal, seja ela falada ou escrita, que no desenho.
A Arte Terapia, de acordo com a definição da American Art Therapy Association (1991) apud Carvalho (2001), oportuniza o desenvolvimento das potencialidades pessoais por meios verbais e não-verbais, através da reequilibração dos recursos cognitivos, físicos e emocionais em atividades terapêuticas com variadas linguagens artísticas.
No Brasil, nas últimas duas décadas vem crescendo a aplicação da Arte Terapia como objeto de prevenção e tratamento de distúrbios psíquicos e emocionais, fazendo-se presente em diversas associações profissionais em todas as regiões do país.
O uso da arte como terapia implica que o processo criativo pode tanto reconciliar conflitos emocionais, como facilitar a auto-percepção e o desenvolvimento humano. As técnicas mais utilizadas são as artes plásticas (pintura, desenho, modelagem), as artes corporais (dança e teatro), a musicoterapia (com utilização de instrumentos musicais, voz/canto ou audição musical), as dramatizações (com fantoches e marionetes) e a escrita livre.
Segundo ALMEIDA SALES (1998), os benefícios que a Arte Terapia traz são reconhecidos, por exemplo: aumento da criatividade e senso estético, melhor integração consigo e com a realidade externa, aumento da auto-estima, desenvolvimento pessoal e estética da singularidade - restituidora do equilíbrio emocional.
2.2 A ARTETERAPIA, O AUTOCONHECIMENTO E O INTERESSE PELO TRABALHO EM GRUPO
A arteterapia oportuniza o autoconhecimento e uma nova prática. Através dela, a arte é utilizada como ponte para a manifestação, não verbal, da compreensão individual do mundo e das relações inerentes do mesmo.
Para LÚRIA (1980), todas as ações humanas estão ligadas as suas significações e, por sua vez, a significação está diretamente ligada a sua história, a qual foi registrada em seu sistema nervoso. Assim, todos os esquemas de ações se transformam em esquemas representativos e, depois operatórios.
Segundo Lowenfeld & Brittain (1977), o desenho reflete as emoções, os sentimentos, o intelecto, a percepção, a criatividade e a evolução social do indivíduo. Essa trajetória se integra por causa dos mecanismos aferentes (de fora para dentro) e eferentes (de dentro para fora) do sistema nervoso central.
A Arte pode levar a uma nova maneira de olhar o mundo, de como se relacionar e nele se incluir, que ela proporciona uma nova forma de contato com o mundo cultural, que pode ressignificar conceitos e maneiras de agir.
Através do autoconhecimento e da contemplação de sua obra, o paciente pode perceber, se conscientizar e melhorar o seu relacionamento consigo e com os que convivem; pois ao examinar sua produção e observar que está muito agressivo em sua obra, tem a possibilidade de se tornar mais sublime, tanto na arte como em sua vida. É sabido que em pessoas saudáveis tal reflexão pode ser feita por si mesma, porém em pessoas com problemas mentais, tal ato necessitará da intervenção do outro, quer seja o psicólogo, o terapeuta, ou quem estiver dando suporte psicológico e emocional para este indivíduo.
Para Eliezer[7], “O indivíduo adentra a sociedade pertencendo a um grupo. Para idosos, por exemplo, esse é um passaporte cultural que lhe confere identidade grupal. O mesmo ocorre com os oprimidos, com doentes mentais”.
Para sentir-se inserido num determinado grupo é necessário haver a aquisição da identidade social, que é determinada pela compreensão da posição que o indivíduo ocupa na comunidade,
MONTEIRO (In JESUÍNO,1996) conceitua indivíduo social como sendo “aquela parte do autoconceito do indivíduo que se deriva do reconhecimento de filiação a um (ou vários) grupo social, juntamente com o significado emocional e de valor ligado àquela filiação”.
Mudar a posição, de doente mental para artista, funciona como uma transposição para a integração social é ser (re) aceito numa sociedade que o discriminou, por diversos fatores, no caso em estudo, pelo fato de ser ‘doente mental’ e ‘interno’.
2.3 A RESSOCIALIZAÇÃO ATRAVÉS DA ARTE
Desde o início de seu desenvolvimento o indivíduo é um agente de auto-socialização, agindo e sendo influenciado de acordo com sua interação com o meio social em que está inserido (COSTA, 2000, p. 17).
Para Rocher, (in Lakatos, 1992, p. 217, apud COSTA, 2000, p.18), “a socialização é o processo pelo qual ao longo da vida a pessoa aprende e interioriza os elementos socioculturais do seu meio, integrando-os na estrutura de sua personalidade sob influência da experiência de agentes sociais significativos, adaptando-se ao ambiente social em que vive”.
O Inconsciente foi o tema de estudo de toda a vida de Jung, sem, no entanto, jamais perder o interesse pelas relações do homem com o mundo exterior. A respeito do ‘Inconsciente’ Jung escreveu:
“Assim definido, o inconsciente descreve um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que sei, mas que no momento não estou pensando; tudo aquilo de que antes eu tinha consciência, mas de que agora me esqueci; tudo o que é percebido pelos meus sentidos, mas que não foi notado pela minha mente consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar a atenção, sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as coisas futuras que estão tomando forma em mim e que em algum momento chegarão à consciência: tudo isto é o conteúdo do inconsciente.” Jung dizia também que “a consciência não se cria a si mesma; emana de profundezas desconhecidas”.
Sendo a Arte a materialização dos sentimentos em formas expressivas, ela constitui um meio de acesso às dimensões humanas ativas de simbolização conceitual. A arte educação busca proporcionar ao ser humano o seu encontro com o mundo, um primeiro olhar sobre as coisas, imprimindo-os em formas “táteis”, onde cada indivíduo é levado a conhecer melhor suas essências e sentimentos que escapam à linguagem “comum”.
Através das concepções de Vigotsky (1998), é possível compreender melhor o processo ensino aprendizagem, transferindo tais conceitos para a arte, pois ele trabalha com o ser humano histórico e cultural. Para o autor a vivência individual influencia o que a pessoa irá ser, e a partir de então, que desenvolverão suas funções mentais, tais como memória, história, atenção, percepção, fatos estes que influenciarão no ato de criar de cada um, pois cada interno teve a sua vivência e possui a sua doença mental, que se manifesta de forma diferenciada de individuo para indivíduo. Vigotsky era conivente com as idéias de Marx e Engels, considerando o homem como ser transformador da natureza e assim modificando a si mesmo.
Ao ver o ex-interno produzindo sua obra de arte, vendo o belo, tal conceito pode mudar, aquele “causador de problemas” passa a ser valorizado pela comunidade, como um ser criativo e produtivo, não representando mais o “medo” ou tendo a sensação de “desprezo” por tal ser humano.
Para RESENDE (2000), Franco da Rocha, foi o primeiro brasileiro a defender a prática do trabalho em hospício, em seu artigo “A questão do trabalho nos hospícios”, datado de 1889.
Estabelecendo-se dessa forma, o trabalho como um recurso terapêutico, conhecido como “tratamento moral” e posteriormente incluindo a arte-educação como processo de “preenchimento da mente” do doente mental.
Em Pinhais-PR, o Complexo Médico Penal do Paraná, desenvolve há anos um projeto de arte-educação aos doentes mentais internos, propiciando aos mesmos, atividades de reintegração social no âmbito da comunidade interna, que facilitam também o despertar do interesse social e da valorização da vida, de se (re) descobrir. Tal projeto vem beneficiando a ressocialização dos doentes mentais quando os mesmos voltam ao convívio da sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados obtidos neste trabalho de revisão de literatura levam a repensar de quanto tempo foi necessário para que a sociedade se mobilizasse com o Doente Mental que, por mais de mil anos, foi desprezado, ignorado, castigado, devido à ignorância das “leis” e da medicina, bem como da aceitação do homem pelo “diferente”.
Entre o aceitar a loucura como doença e dar um atendimento médico e clínico adequado, o tempo foi ainda maior e podemos dizer que ainda estamos engatinhando quanto à conduta correta de cuidarmos do doente mental.
Com a arte-educação é possível alterar o estado de espírito do cidadão e do grupo, quando revela o ponto comum entre os indivíduos. A arte-educação é uma atividade coletiva, que depende da motivação de todos, não se pode criar se não houver um ambiente propício, amparado por pessoas de “confiança”, por espontaneidade, comunicação (verbal ou não), “liberdade” de expressão.
Através de pesquisas em revistas médicas e educacionais, em livros específicos, em relatos de estudos de caso, tomamos ciência de que após ser considerado apto a voltar ao convívio social, o ex-interno ao ocupar sua mente com a arte, a ociosidade é preenchida, transformando-se em terapia ocupacional; a arte confeccionada com finalidade utilitária pode ser comercializada; sendo o sujeito valorizado pelos familiares, como criador que é; ser útil, não sendo mais visto como um “peso” ou “vergonha” para a família, ou “ameaça” à comunidade a qual pertence.
FISCHER (1981, p. 23) descreve: “a arte é o meio indispensável para essa união do indivíduo como o todo: reflete a infinita capacidade humana para a associação e para a circulação de experiências e idéias.”
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[1] Graduada em Pedagogia, Matemática e Biologia pela Faculdade SCELISUL-SP, Especialista em Magistério Superior, Administração Escolar, Psicopedagogia e Educação Especial pela faculdade FACINTER – PR e pós-graduanda em Psicomotricidade pelo Instituto Superior.
[2] O Hospital Psiquiátrico do Juqueri é uma das mais famosas colônias psiquiátricas do Brasil, localizada em Franco da Rocha, estado de São Paulo. Fundado em 1898 pelo psiquiatra paulista Franco da Rocha, o Asilo de Alienados do Juqueri passa a denominar-se Hospital e Colônias de Juqueri em 1929.
[3]Símbolo é “... uma linguagem universal infinitamente rica, capaz de exprimir por meio de imagens muitas coisas que trascedem das problemáticas específicas dos indivíduos.” (SILVEIRA, N. – JUNG, Vida e obra, 1968.p. 81.)
[4] de si mesmo.
[5] Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, considerado sucessor de Freud. Dentre todos os seus conceitos, a idéia de introversão e extroversão é a mais utilizada na psiquiatria. (Tipos Psicológicos - C.G.Jung - Zahar Editores - RJ – 1980)
[6] Lutas consciente e pessoal, que traz indecisão à pessoa que está com tal sentimento.
[7] Joya Eliezer (arteterapeuta é fundadora da Associação Brasileira dos Terapeutas da Arte),
Viviane Patrice Bertoncini[1]
RESUMO
Este trabalho aborda a Arte-Educação como processo de ressocialização de doentes mentais, beneficiando tanto o indivíduo que se encontra interno, como a família do mesmo e a comunidade em si. Relata historicamente as visões que a humanidade teve sobre a loucura, até que a mesma fosse considerada doença mental, relata algumas contribuições da arte-educação sobre o autoconhecimento e sobre o processo de aquisição do interesse pelo trabalho em grupo, cita o trabalho de especialistas em tratamento com doentes mentais na visão junguiana, traz comentários baseados em pesquisas bibliográficas a respeito da contribuição das Artes, no processo de ressocialização de cidadãos que necessitam de uma inclusão na sociedade. Para a coleta de informações foi utilizada uma revisão de literatura selecionada, na qual se observa que a Arte-Educação tem como função a melhora psico-sócio-emocional do doente mental, favorecendo a sua integração social. Nota-se que o professor/arte-educador deve assumir o papel de agente facilitador no processo da terapia e do despertar da arte, pois sua real função será de agente motivacional para que o doente mental consiga expressar seus sentimentos através da linguagem plástica. Pôde-se observar, por meio das literaturas, que o projeto de ressocialização através da arte vem sendo uma constante por vários médicos psiquiatras, terapeutas e demais especialistas da área, em doentes mentais ou internos que permaneceram por longo tempo afastado da sociedade, por acreditarem na mudança positiva que tal atividade opera no indivíduo.
Palavras-chave: Arte-educação, ressocialização, doente mental, esquizofrenias, arte-terapia.
INTRODUÇÃO
O presente estudo versará sobre a Arte Educação e os Doentes Mentais. Para avançar na questão da ressocialização do doente mental interno, faz-se necessário definir os tipos de doenças mentais, bem como conhecer suas características para que possam ser desenvolvidos trabalhos visando à ressocialização dos internos, ou, então, para que, na impossibilidade de recuperação total, possam ser desenvolvidos projetos que permitam o desenvolvimento de habilidades tanto como forma de terapia, quanto para o trabalho. Por outro lado, é necessário conhecer qual o melhor método para trabalhar a mente dessas pessoas, pois é sabido que a arte-educação aliada à arteterapia tem alcançado ótimos resultados como tratamento e ressocialização de doentes mentais, tanto em hospitais psiquiátricos como em Complexos Médicos Penais.
Como aspecto metodológico, o estudo pautar-se-á nas pesquisas em obras literárias e sites disponíveis, voltados ao tema proposto.
O trabalho será distribuído de forma a atingir os seus objetivos. No primeiro item serão abordados os aspectos da história da loucura situando as diferentes formas de visão e tratamento dados aos loucos, incluindo-se aqui o Hospício do Juqueri, entre outros.
O segundo item abordará a Arte Educação e a Arteterapia pautada nos estudos científicos de Carl Jung, a visão do inconsciente individual e inconsciente coletivo, bem como as experiências clínicas que tal estudioso desenvolveu, em trabalhar com o fazer artístico como atividade criativa e integradora da personalidade. Tais métodos serviram de base para Osório César que atuou no Hospital Psiquiátrico do Juqueri[2] e Nise da Silveira que desenvolveu o mesmo método no Rio de Janeiro, chegando inclusive a fundar uma instituição para atender os doentes mentais regressos, a fim de trabalhar melhor o psíquico dos mesmos, fortalecendo a auto-estima, o autoconhecimento e o interesse do trabalho em grupo.
Posteriormente trataremos da arte educação e o processo de ressocialização de cidadão que necessita de inclusão na sociedade, onde o ato de criar e o papel fundamental do espectador como elo entre o artista e o significado da obra. As artes são verdadeiros momentos de motivação individual e coletiva. Estudar a escultura, o desenho e a pintura, atrai a atenção de estudiosos do comportamento humano, principalmente quanto tais obras são elaboradas por pessoas com doenças ou transtornos mentais.
Objetiva-se no desenvolvimento deste estudo em fornecer informações relevantes para a confirmação da ressocialização através da arte para os doentes mentais.
ESTUDOS E DEFINIÇÕES SOBRE A LOUCURA
A loucura sempre foi temida pelo ser humano, embora seja tão antiga quanto o mesmo.
No início, o homem considerava que o louco era dominado por um espírito satânico: que se apropriava do seu corpo e da sua mente através da: POSSESSÃO DEMONÍACA PARCIAL, quando o diabo entrava no indivíduo, desordenando suas idéias, suas práticas e afetos; ou da POSSESSÃO DEMONÍACA TOTAL, quando o corpo possuído era lançado ao solo e sacudido (epilepsia). (CARVALHAL RIBAS, 1964, p. 64).
Dos tempos mais remotos até o século XVI, o tratamento dado aos loucos, não passaram de tentativas cruéis de os eliminarem da vista dos normais, enxotando-os para fora dos muros das cidades, até serem transportados em naus e desembarcá-los, à sorte de terras estranhas. Tal método ficou conhecido como Naus dos Loucos (FOUCAULT, 1978), pratica expressiva do impacto da normalidade versus loucura.
PALOMBA (2003) define loucura ou psicose quando o indivíduo perde, ou diminui o contato com a realidade, ou ainda pode-se dizer que é a incapacidade de prever a realidade. Ou seja, estas pessoas perdem as características normais passando a serem consideradas loucas por ter em si alterações de pensamento, os considerados delírios, ou criar uma nova realidade, como por exemplo: criar dupla personalidade, acreditando ser alguém conhecido pelo público, como Presidente da República ou mesmo alguém que já veio a falecer, acreditando ser Napoleão Bonaparte. Pode julgar ser o centro de tudo, um Deus, ou ainda acreditar em percepções como alucinações, auditivas e visuais, crendo terem visto ou ouvido, certas coisas que jamais vieram a existir.
Podemos colocar a loucura, de forma abreviada se usar de conceitos sobre a doença mental, ou seja, subdividir a “loucura” em diversos itens, como por exemplo: a Esquizofrenia, a Psicose, as Neuroses e ainda as causadas por dependência química, tais como o alcoolismo, a de substâncias psicoativas. Desta forma é importante caracterizá-las para a compreensão do que cada uma pode causar na personalidade do doente mental.
O termo psicose, no vocabulário psiquiátrico, refere-se a um distúrbio maciço do sentido da realidade. Estudos Psicodinâmicos mostraram que, tanto na criança, quando no adulto, o sentido da realidade é inseparável do conjunto da organização da personalidade.
Ressaltamos que, no adulto, só se emprega a palavra psicose seguida de um qualificativo: esquizofrênico, delirante, alucinatória, maníaca. (AUBIM, 1976, p.15).
LEBOVICI (1973) trata esse assunto da seguinte forma:
Pode-se, por exemplo, considerar a confusão entre animado e inanimado do autismo como estando ligado a uma ausência de envelope psíquico; a confusão entre Si - mesmo e outrem das psicoses de tipo esquizofrênico como sendo devida a uma violação dos limites entre espaços psíquicos do sujeito e espaço psíquico de outrem; pode-se considerar as psicoses distímicas como devidas a uma destruição dos limites entre si mesmo e objetos internos.
Então, torna-se imprescindível descobrir o que é cada uma dessas doenças, pode-se iniciar com a esquizofrenia, que nada mais é do que, um transtorno mental psicótico, mas para se chegar a essa definição, foram necessários estudos que, na verdade iniciam-se em 1911, quando foi criado o termo “esquizofrenia”. O precursor destas pesquisas foi Eugem Bleuler, psiquiatra que em 1908 introduziu este termo, partindo de dementia praecox, que reuniu as síndromes de catatonia, hebefrenia e paranóia, em apenas uma condição. Ele descreveu, o esquizofrênico como alguém que possui mais de um transtorno, e que tem alucinações, delírios e desorganização do pensamento, assim pode-se declarar contrário ao termo “demência”. Bleuler, ainda apoiou-se em uma associação de idéias, desejos e impulsos contraditórios, em uma perturbação do afeto e do autismo para caracterizar as ações esquizofrênicas.
KAPLAN (2003) crê que uma boa parcela da população é acometida desta doença, mesmo antes dos 25 anos e sem que haja distinção de classe social. Podendo diagnosticar tal preceito através de um exame do estado mental. Pode perceber ainda, que é raro o aparecimento de casos de esquizofrenia antes dos 10 anos de idade e após os 50, não há diferença entre sexo.
Podemos destacar que os estudos sobre a esquizofrenia, conceituaram-na de forma que a subdividisse em tipos conforme o diagnóstico e ao prognóstico.
Baseando-se nas classificações de BALLONE, as esquizofrenias podem ser as seguintes:
- Paranóide: Tipo de esquizofrenia com melhor prognóstico, por ser mais comum e de melhor resposta aos tratamentos. O paciente que se enquadra nessa condição, sofre do delírio de perseguição, achando que o mundo o persegue que todos estão contra ele e desejam-lhe o mal; tais pensamentos podem ser acompanhados de alucinações, visão de pessoas mortas, monstros, diabos ou elementos sobrenaturais. Muitas vezes as idéias religiosas ou políticas, o convencem de ser o salvador do mundo.
- Hebrefrência ou desorganizada: Os pacientes pertencentes a este grupo apresentam problemas de concentração, falta de coerência de pensamento, pobreza de raciocínio; podendo apresentar discurso infantilizado, fazendo comentários fora do contexto e saem com facilidade do tema da conversa. Não controlam suas emoções, podendo gargalhar em momentos de extrema tristeza, ou impróprios ou chorarem sem saber o porquê. Os delírios também são freqüentes.
- Catatônica: Tipo menos freqüente de esquizofrenia, tendo como características transtornos psicomotores e dificuldades na locomoção podendo também ser freqüente, a falta da fala. Caso permaneçam por longo tempo em crises, podem se pender ao álcool e ás drogas.
- Residual: Esquizofrenia instalada há muitos anos e com várias seqüelas, tais como isolamento social, comportamento excêntrico, emoções inapropriadas e pensamentos sem lógica.
- Simples: Tipo pouco freqüente, seu aparecimento é lento, geralmente iniciando na adolescência, com irregularidades emotivas. Vagarosamente vai se instalando o isolamento social, perde os amigos, as relações familiares tornam-se escassas, alteração de caráter, tornando-se totalmente anti-sociável, findando em depressão. Não são observáveis surtos agudos.
2. ARTE EDUCAÇÃO
No início do século XX, Sigmund Freud (1856-1939) se interessou pela arte e através de estudos concluiu que o inconsciente se manifesta através de imagens e que estas podem expressar maiores informações do que as palavras. Segundo FREUD, os artistas podem através de suas obras de arte, simbolizar conteúdos do psiquismo que estão presos no inconsciente, visto que as imagens escapam mais facilmente da censura da mente do que as palavras.
Ana Mae Barbosa (1984), grande pioneira da Arte-educação no Brasil, defende o ensino da arte nas escolas, com o objetivo de resgatar a qualidade do ensino e da aprendizagem dos adolescentes. A professora acredita que a arte-educação além de facilitar o trabalho em grupo, despertar o lado artístico e crítico, prepara o aluno para enfrentar melhor o mundo. Preocupada com a qualidade do ensino de Artes no Brasil, propõe ao Estado uma reforma curricular com conteúdos mais críticos e combativos, que denotem maior domínio teórico e com investigação histórica, visto ser impossível trabalhar a Arte, sem abordar o tempo histórico e relacioná-los ao contexto em que vivemos.
A abordagem mais atual de Arte-Educação no Brasil é a associada ao desenvolvimento cognitivo, sendo Rudolf Arnheim, o propulsor da idéia de Arte para o desenvolvimento da Cognição, baseando suas concepções na equivalência configuracional entre percepção e cognição.
Para ARNHEIM (Apud BARBOSA, 1975) “... perceber é conhecer”, afirma que a Arte requer julgamento, porém exige regras que necessitam ser conhecidas antes de afrontá-las. Tais regras podem ser entendidas como a gramática visual, fundamento básico às operações envolvidas na cognição como: percepção, recepção, interiorização de informação, atenção, memória, pensamento e finalmente, aprendizagem.
2.1 ARTETERAPIA NA VISÃO JUNGUIANA
Ao longo deste item abordar-se-á o tema arteterapia, pautados na visão de Carl Jung, cuja teoria parte do princípio de que todo indivíduo com seu curso natural de vida, em seus processos de autoconhecimento e de transformação são orientados pelos símbolos[3]·. Estes surgem do self [4], sendo a plenitude individual, o centro controlador da psique e à essência do sujeito. No decorrer de sua existência, o indivíduo através dos símbolos, vai reconhecendo e compreendendo o self, que deve ser respeitado. “O Símbolo configurado em materialidade, leva à compreensão, transformação, estruturação, e expansão de toda a personalidade do indivíduo que cria”. (PHILIPPINI, 2000).
Na abordagem junguiana, a arteterapia deve proporcionar diversos materiais expressivos, (no caso criações artísticas: esculturas, telas, desenhos diversos), significativos e adequados a fim de propiciar a expressão e a comunicação de símbolos da psique (como afetos, sonhos, emoções, sentimentos, conflitos, desejos) para o meio exterior, possibilitando reconstruções, reconhecimentos, resgates e transformações.
Foi Jung[5] o primeiro médico psiquiatra a utilizar-se da arte em consultório, pois considerava que, na arte, ocorria a simbolização do inconsciente individual e do coletivo. No início da década de 20, utilizou-se da linguagem expressiva como terapia e, para isso, solicitava aos pacientes, que fizessem desenhos livres, imagens de sonhos, de sentimentos, de situações da infância ou mesmo conflitantes[6]. Jung chegou a afirmar que a criatividade tem uma função psíquica natural e estruturante; e que a energia psíquica não se altera enquanto não se transforma. Defendeu também a idéia que tanto a atividade plástica, quanto a criatividade são funções psíquicas inatas e que contribuem com a evolução da personalidade e com a organização do pensamento. (JUNG, 2000)
Osório César, em São Paulo e Nise da Silveira, atuando no Rio de Janeiro, são os grandes representantes da arte educação no Brasil, ambos seguiram o pensamento de Freud e Jung, no que diz respeito a doentes mentais internos.
Através dos estudos dedicados e da analise das produções artísticas dos doentes mentais, Osório César concluiu que as obras de arte dos doentes tinham o cunho emocional, pois eram trabalhos espontâneos que satisfaziam as necessidades instintivas.
Os símbolos que os doentes usam para as suas produções artísticas pertencem à simbologia que Freud observa na interpretação dos sonhos. Assim, os órgãos genitais masculinos são, por exemplo, representados por bengalas, limas, serpentes, punhais, revólveres, torneiras, dirigíveis Zepelim, peixes etc. Os órgãos femininos têm sua representação em vasos, caixas, cofres, portas, frutos etc (CÉSAR, 1955, p.27)
Para CÉSAR, as manifestações artísticas nos doentes internos são baseadas na regressão da hereditariedade; ou seja, o homem manifestaria através da Arte, a origem e o desenvolvimento da espécie.
O homem primitivo é de índole profundamente supersticiosa. Todos os fenômenos da natureza que ele observa têm uma expressão de terror manifesto na sua mentalidade. Dessa maneira ele interpreta o trovão, o raio, as chuvas copiosas. Vem daí, talvez, a necessidade da criação do símbolo - origem da arte - para amenizar esse primeiro sofrer representando já o esboço de uma filosofia elementar da vida. E essa filosofia torna-se código de vida em certas comunidades primitivas atuais com os totens e tabus (CÉSAR, 1955, p. 128).
Nise da Silveira destacou-se na medicina psiquiátrica por se recusar a aplicar eletrochoques, induzir o coma insulínico e ministrar drogas aos doentes mentais; diante de tal ato, foi designada a atuar na área de Terapia Ocupacional do Hospital, onde na época a “Terapia ocupacional” consistia em dar atividades de limpeza aos internos; aqueles que respondiam bem aos tratamentos e que eram considerados ‘calmos’ ocupavam-se de atividades como varrer corredores, limpar sanitários, ou seja, desenvolviam um trabalho que o mantinham ocupado e que economizaria para os cofres dos manicômios. A Dra. Nise alterou o destino do tratamento psiquiátrico no Brasil, quando resolveu substituir o tratamento aplicado e as atividades destinadas aos doentes mentais, na década de 40, pela Terapia Ocupacional voltada à pintura e modelagem.
Para Dra. Nise, o essencial para se trabalhar com os doentes mentais internos é o carinho, pois os pacientes são seres humanos e devem ser tratados com muito afeto, para posteriormente ter acesso a suas necessidades, sentimentos e fraquezas. Esse foi o diferencial no tratamento adotado pela Dra. Nise aos doentes mentais, aqueles a qual a sociedade tratava com desprezo, preconceito, rispidez e que eram marginalizados como “Louco”.
Com as obras de seus pacientes, veio a fundar em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente e em 1956, contando com o apoio de pessoas que acreditavam no seu trabalho, fundou a Casa das Palmeiras, clínica destinada ao tratamento de doentes mentais egressos de Hospitais Psiquiátricos, cujas atividades artísticas eram utilizadas como tratamento e em regime de externato. O retorno dos doentes mentais às Instituições era uma freqüente, pois o preconceito dificultava a volta destes à sociedade, algo que afetava diretamente sua recuperação. Todo o trabalho destinado aos doentes tinha como ênfase a importância do contato afetivo e do incentivo a expressão criativa; a Casa das Palmeiras era e ainda é, a transição entre o hospital psiquiátrico e o mundo externo, preparando as pessoas ali atendidas para voltar à comunidade, no momento mais oportuno.
Algumas frases, expostas na Casa da Palmeira, definem bem o modo como pensava e trabalhava Nise da Silveira: “O que melhora no atendimento é o contato afetivo, de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito”, ou ainda: “Acho um desaforo chamar alguém de paciente, doente mental ou louco. Eles são pessoas como as outras, são clientes. Chamo-os todos pelo nome”.
As obras desenvolvidas pelos pacientes eram passaportes para o conhecimento mais íntimo dos esquizofrênicos. No conceito da Dra. Nise, por fazerem parte do tratamento e conter expressões dos doentes internos, as obras não poderiam ser comercializadas, não haveria valor que pudesse pagar aquele testemunho e o estudo das aflições humanas.
Se fossem vendidas pinturas, esculturas e outros objetos, não existiria museu algum. Dá pra entender? Seriam dispersadas as formas reveladoras do interior da psique, isto é, o material que verdadeiramente interessa à psiquiatria (Silveira, 1951, aput GULLAR, 1996)
Nise interpretava as pinturas e esculturas de seus ‘clientes’, enxergando nelas aquilo que eles não exteriorizavam por via da comunicação lingüística. O desenho dá margem à liberdade. A censura é maior na linguagem verbal, seja ela falada ou escrita, que no desenho.
A Arte Terapia, de acordo com a definição da American Art Therapy Association (1991) apud Carvalho (2001), oportuniza o desenvolvimento das potencialidades pessoais por meios verbais e não-verbais, através da reequilibração dos recursos cognitivos, físicos e emocionais em atividades terapêuticas com variadas linguagens artísticas.
No Brasil, nas últimas duas décadas vem crescendo a aplicação da Arte Terapia como objeto de prevenção e tratamento de distúrbios psíquicos e emocionais, fazendo-se presente em diversas associações profissionais em todas as regiões do país.
O uso da arte como terapia implica que o processo criativo pode tanto reconciliar conflitos emocionais, como facilitar a auto-percepção e o desenvolvimento humano. As técnicas mais utilizadas são as artes plásticas (pintura, desenho, modelagem), as artes corporais (dança e teatro), a musicoterapia (com utilização de instrumentos musicais, voz/canto ou audição musical), as dramatizações (com fantoches e marionetes) e a escrita livre.
Segundo ALMEIDA SALES (1998), os benefícios que a Arte Terapia traz são reconhecidos, por exemplo: aumento da criatividade e senso estético, melhor integração consigo e com a realidade externa, aumento da auto-estima, desenvolvimento pessoal e estética da singularidade - restituidora do equilíbrio emocional.
2.2 A ARTETERAPIA, O AUTOCONHECIMENTO E O INTERESSE PELO TRABALHO EM GRUPO
A arteterapia oportuniza o autoconhecimento e uma nova prática. Através dela, a arte é utilizada como ponte para a manifestação, não verbal, da compreensão individual do mundo e das relações inerentes do mesmo.
Para LÚRIA (1980), todas as ações humanas estão ligadas as suas significações e, por sua vez, a significação está diretamente ligada a sua história, a qual foi registrada em seu sistema nervoso. Assim, todos os esquemas de ações se transformam em esquemas representativos e, depois operatórios.
Segundo Lowenfeld & Brittain (1977), o desenho reflete as emoções, os sentimentos, o intelecto, a percepção, a criatividade e a evolução social do indivíduo. Essa trajetória se integra por causa dos mecanismos aferentes (de fora para dentro) e eferentes (de dentro para fora) do sistema nervoso central.
A Arte pode levar a uma nova maneira de olhar o mundo, de como se relacionar e nele se incluir, que ela proporciona uma nova forma de contato com o mundo cultural, que pode ressignificar conceitos e maneiras de agir.
Através do autoconhecimento e da contemplação de sua obra, o paciente pode perceber, se conscientizar e melhorar o seu relacionamento consigo e com os que convivem; pois ao examinar sua produção e observar que está muito agressivo em sua obra, tem a possibilidade de se tornar mais sublime, tanto na arte como em sua vida. É sabido que em pessoas saudáveis tal reflexão pode ser feita por si mesma, porém em pessoas com problemas mentais, tal ato necessitará da intervenção do outro, quer seja o psicólogo, o terapeuta, ou quem estiver dando suporte psicológico e emocional para este indivíduo.
Para Eliezer[7], “O indivíduo adentra a sociedade pertencendo a um grupo. Para idosos, por exemplo, esse é um passaporte cultural que lhe confere identidade grupal. O mesmo ocorre com os oprimidos, com doentes mentais”.
Para sentir-se inserido num determinado grupo é necessário haver a aquisição da identidade social, que é determinada pela compreensão da posição que o indivíduo ocupa na comunidade,
MONTEIRO (In JESUÍNO,1996) conceitua indivíduo social como sendo “aquela parte do autoconceito do indivíduo que se deriva do reconhecimento de filiação a um (ou vários) grupo social, juntamente com o significado emocional e de valor ligado àquela filiação”.
Mudar a posição, de doente mental para artista, funciona como uma transposição para a integração social é ser (re) aceito numa sociedade que o discriminou, por diversos fatores, no caso em estudo, pelo fato de ser ‘doente mental’ e ‘interno’.
2.3 A RESSOCIALIZAÇÃO ATRAVÉS DA ARTE
Desde o início de seu desenvolvimento o indivíduo é um agente de auto-socialização, agindo e sendo influenciado de acordo com sua interação com o meio social em que está inserido (COSTA, 2000, p. 17).
Para Rocher, (in Lakatos, 1992, p. 217, apud COSTA, 2000, p.18), “a socialização é o processo pelo qual ao longo da vida a pessoa aprende e interioriza os elementos socioculturais do seu meio, integrando-os na estrutura de sua personalidade sob influência da experiência de agentes sociais significativos, adaptando-se ao ambiente social em que vive”.
O Inconsciente foi o tema de estudo de toda a vida de Jung, sem, no entanto, jamais perder o interesse pelas relações do homem com o mundo exterior. A respeito do ‘Inconsciente’ Jung escreveu:
“Assim definido, o inconsciente descreve um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que sei, mas que no momento não estou pensando; tudo aquilo de que antes eu tinha consciência, mas de que agora me esqueci; tudo o que é percebido pelos meus sentidos, mas que não foi notado pela minha mente consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar a atenção, sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as coisas futuras que estão tomando forma em mim e que em algum momento chegarão à consciência: tudo isto é o conteúdo do inconsciente.” Jung dizia também que “a consciência não se cria a si mesma; emana de profundezas desconhecidas”.
Sendo a Arte a materialização dos sentimentos em formas expressivas, ela constitui um meio de acesso às dimensões humanas ativas de simbolização conceitual. A arte educação busca proporcionar ao ser humano o seu encontro com o mundo, um primeiro olhar sobre as coisas, imprimindo-os em formas “táteis”, onde cada indivíduo é levado a conhecer melhor suas essências e sentimentos que escapam à linguagem “comum”.
Através das concepções de Vigotsky (1998), é possível compreender melhor o processo ensino aprendizagem, transferindo tais conceitos para a arte, pois ele trabalha com o ser humano histórico e cultural. Para o autor a vivência individual influencia o que a pessoa irá ser, e a partir de então, que desenvolverão suas funções mentais, tais como memória, história, atenção, percepção, fatos estes que influenciarão no ato de criar de cada um, pois cada interno teve a sua vivência e possui a sua doença mental, que se manifesta de forma diferenciada de individuo para indivíduo. Vigotsky era conivente com as idéias de Marx e Engels, considerando o homem como ser transformador da natureza e assim modificando a si mesmo.
Ao ver o ex-interno produzindo sua obra de arte, vendo o belo, tal conceito pode mudar, aquele “causador de problemas” passa a ser valorizado pela comunidade, como um ser criativo e produtivo, não representando mais o “medo” ou tendo a sensação de “desprezo” por tal ser humano.
Para RESENDE (2000), Franco da Rocha, foi o primeiro brasileiro a defender a prática do trabalho em hospício, em seu artigo “A questão do trabalho nos hospícios”, datado de 1889.
Estabelecendo-se dessa forma, o trabalho como um recurso terapêutico, conhecido como “tratamento moral” e posteriormente incluindo a arte-educação como processo de “preenchimento da mente” do doente mental.
Em Pinhais-PR, o Complexo Médico Penal do Paraná, desenvolve há anos um projeto de arte-educação aos doentes mentais internos, propiciando aos mesmos, atividades de reintegração social no âmbito da comunidade interna, que facilitam também o despertar do interesse social e da valorização da vida, de se (re) descobrir. Tal projeto vem beneficiando a ressocialização dos doentes mentais quando os mesmos voltam ao convívio da sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados obtidos neste trabalho de revisão de literatura levam a repensar de quanto tempo foi necessário para que a sociedade se mobilizasse com o Doente Mental que, por mais de mil anos, foi desprezado, ignorado, castigado, devido à ignorância das “leis” e da medicina, bem como da aceitação do homem pelo “diferente”.
Entre o aceitar a loucura como doença e dar um atendimento médico e clínico adequado, o tempo foi ainda maior e podemos dizer que ainda estamos engatinhando quanto à conduta correta de cuidarmos do doente mental.
Com a arte-educação é possível alterar o estado de espírito do cidadão e do grupo, quando revela o ponto comum entre os indivíduos. A arte-educação é uma atividade coletiva, que depende da motivação de todos, não se pode criar se não houver um ambiente propício, amparado por pessoas de “confiança”, por espontaneidade, comunicação (verbal ou não), “liberdade” de expressão.
Através de pesquisas em revistas médicas e educacionais, em livros específicos, em relatos de estudos de caso, tomamos ciência de que após ser considerado apto a voltar ao convívio social, o ex-interno ao ocupar sua mente com a arte, a ociosidade é preenchida, transformando-se em terapia ocupacional; a arte confeccionada com finalidade utilitária pode ser comercializada; sendo o sujeito valorizado pelos familiares, como criador que é; ser útil, não sendo mais visto como um “peso” ou “vergonha” para a família, ou “ameaça” à comunidade a qual pertence.
FISCHER (1981, p. 23) descreve: “a arte é o meio indispensável para essa união do indivíduo como o todo: reflete a infinita capacidade humana para a associação e para a circulação de experiências e idéias.”
REFERÊNCIAS
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FISCHER, E. A Necessidade da Arte. 9ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981
FOUCAULT, M. - História da Loucura –São Paulo: Perspectiva, 1978.
GULLAR, F. - Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde - Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1996.
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________________ O Desenvolvimento da Percepção E da Atenção-. In: A Formação Social
[1] Graduada em Pedagogia, Matemática e Biologia pela Faculdade SCELISUL-SP, Especialista em Magistério Superior, Administração Escolar, Psicopedagogia e Educação Especial pela faculdade FACINTER – PR e pós-graduanda em Psicomotricidade pelo Instituto Superior.
[2] O Hospital Psiquiátrico do Juqueri é uma das mais famosas colônias psiquiátricas do Brasil, localizada em Franco da Rocha, estado de São Paulo. Fundado em 1898 pelo psiquiatra paulista Franco da Rocha, o Asilo de Alienados do Juqueri passa a denominar-se Hospital e Colônias de Juqueri em 1929.
[3]Símbolo é “... uma linguagem universal infinitamente rica, capaz de exprimir por meio de imagens muitas coisas que trascedem das problemáticas específicas dos indivíduos.” (SILVEIRA, N. – JUNG, Vida e obra, 1968.p. 81.)
[4] de si mesmo.
[5] Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, considerado sucessor de Freud. Dentre todos os seus conceitos, a idéia de introversão e extroversão é a mais utilizada na psiquiatria. (Tipos Psicológicos - C.G.Jung - Zahar Editores - RJ – 1980)
[6] Lutas consciente e pessoal, que traz indecisão à pessoa que está com tal sentimento.
[7] Joya Eliezer (arteterapeuta é fundadora da Associação Brasileira dos Terapeutas da Arte),
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